Uma auditoria do governo do Rio de Janeiro identificou um alto percentual de funcionários comissionados sem registro de atividade em secretarias estaduais, resultando em exonerações e uma economia mensal significativa. A Secretaria de Trabalho e Renda liderou o ranking com 78% de casos.

Uma recente auditoria conduzida pelo governo do Rio de Janeiro revelou um cenário alarmante: algumas secretarias estaduais apresentavam até 80% de funcionários comissionados sem qualquer registro de atividade, levantando sérias suspeitas de serem servidores fantasmas. O levantamento, realizado pela Controladoria-Geral do Estado e pelo Gabinete de Segurança Institucional, aponta para um volume expressivo de recursos públicos que, potencialmente, eram desviados para o pagamento de pessoas que não exerciam suas funções.
Os dados divulgados pelo RJ2 detalham que a Secretaria de Trabalho e Renda se destacou negativamente no levantamento, com 78% dos seus comissionados sem comprovação de trabalho. Outras pastas também apresentaram números elevados, como Esporte e Lazer (75%), Turismo (73%), Ciência e Tecnologia (65%), Agricultura (65%), Assistência Social (59%) e Casa Civil (58%). Mesmo a Secretaria de Saúde teve 46% de seus comissionados exonerados pelas mesmas razões, indicando uma falha sistêmica que abrangia diversas áreas da administração.
A metodologia da auditoria foi minuciosa, cruzando registros de acesso aos sistemas eletrônicos do Estado e aos prédios públicos onde os servidores estavam lotados. A ausência de qualquer evidência de atividade nessas plataformas e locais foi o critério decisivo para classificar os funcionários como “fantasmas” e, consequentemente, para suas exonerações. Esta abordagem técnica e baseada em dados demonstra um esforço para combater a ineficiência e a corrupção dentro da máquina pública estadual.
Desde que assumiu interinamente o governo do Rio de Janeiro no fim de março, após a renúncia de Cláudio Castro (PL), o governador Ricardo Couto tem priorizado uma revisão abrangente de contratos e nomeações no Executivo. Essa iniciativa já resultou na exoneração de mais de 4 mil servidores comissionados desde 24 de março. As demissões projetam uma economia mensal de R$ 16,7 milhões, que pode alcançar cerca de R$ 230 milhões até o final deste ano, um alívio significativo para os cofres estaduais que historicamente enfrentam desafios fiscais.
As auditorias, que inicialmente abrangeram 20 órgãos da administração, devem ser expandidas para outras áreas nas próximas semanas, contando com o apoio técnico do Tribunal de Contas do Estado e do Tribunal de Contas do Município do Rio. Essa colaboração entre as esferas de controle reforça o compromisso com a transparência e a boa gestão dos recursos públicos, buscando restaurar a confiança na administração fluminense e garantir que o dinheiro dos contribuintes seja efetivamente utilizado em prol da população.
O que esta em jogo: A continuidade das auditorias e a efetiva punição dos responsáveis por essa prática são cruciais para a moralização da gestão pública no Rio de Janeiro, podendo reverter o histórico de má gestão e beneficiar diretamente a sociedade fluminense com a economia e a melhoria dos serviços.
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