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Empresário revela ser ‘laranja’ em esquema milionário ligado a pagamento de R$ 700 mil a atual ministra do STM

Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo e relatórios do Coaf apontam que uma empresa, que movimentou quase R$ 1 bilhão e é ligada a um conhecido grupo empresarial, efetuou um pagamento de R$ 700 mil ao escritório da atual ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman, nomeada por Lula. O sócio formal da companhia declarou à polícia que atuava como 'laranja' no esquema.

Por Redação Ponto FixoPublicado 04/07/2026 às 03h03· 2 min de leitura
Empresário revela ser ‘laranja’ em esquema milionário ligado a pagamento de R$ 700 mil a atual ministra do STM
Foto: Ricardo Stuckert/PR

A Polícia Civil de São Paulo e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) desvendaram detalhes de um complexo esquema financeiro que envolve uma empresa de fachada e um vultoso pagamento ao escritório da ministra Verônica Sterman, recém-nomeada por Lula para o Superior Tribunal Militar (STM). Um empresário de 50 anos, identificado como Ericsson de Azevedo, confessou em depoimento à polícia que servia como ‘laranja’ da ACX ITC Serviços de Tecnologia, a empresa no centro das investigações.

De acordo com os relatórios e o depoimento de Azevedo, ele vendeu seus dados pessoais por R$ 5 mil para a abertura da ACX ITC em janeiro de 2025 e recebia R$ 1 mil cada vez que precisava assinar documentos. A empresa, que declara um capital social superior a R$ 100 milhões, é apontada como parte de uma rede de mais de 40 companhias vinculadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como ‘Careca do INSS’.

As movimentações financeiras da ACX ITC são expressivas, com relatórios do Coaf indicando que a empresa movimentou impressionantes R$ 918,3 milhões. A Operação Saturno, conduzida pela Polícia Civil paulista, concluiu que há ‘fortes indícios de envolvimento com recursos oriundos do tráfico’ por parte da companhia. Além disso, a CPMI do INSS investiga o grupo empresarial por movimentações ainda maiores, totalizando R$ 39 bilhões.

O foco da controvérsia reside no pagamento de R$ 700 mil, em parcela única, efetuado pela ACX ITC ao escritório de advocacia de Verônica Sterman. Este valor foi pago entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, período em que ela ainda atuava na advocacia, antes de sua nomeação para o STM em setembro de 2025. Sterman afirmou à imprensa que o montante se refere à elaboração de três pareceres jurídicos.

A nomeação de uma figura para uma posição de tamanha relevância no judiciário militar, em meio a investigações que conectam seu antigo escritório a transações financeiras sob suspeita de lavagem de dinheiro e ligação com o tráfico, levanta sérias questões sobre a integridade e a transparência em cargos públicos de alta confiança. A evolução das investigações da Polícia Civil e da CPMI do INSS será crucial para esclarecer a extensão e as implicações desses fatos.

O que está em jogo: A revelação de um ‘laranja’ em uma empresa que pagou uma alta quantia a uma ministra nomeada pelo presidente Lula ao STM pode gerar questionamentos sobre a transparência em nomeações para cargos estratégicos do poder judiciário e a necessidade de maior rigor na fiscalização de transações financeiras ligadas a figuras públicas e seus associados.

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