Senador eleito por SP, Derrite descarta apoio a Alcolumbre para 2027 e defende Tereza Cristina ou Rogério Marinho na presidência.

Eleito para representar o Estado de São Paulo com uma expressiva marca de 13,2 milhões de votos, o deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) já começou a traçar os rumos da disputa pelo comando do Congresso Nacional. O parlamentar declarou enfaticamente que não apoiará a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) para a presidência do Senado Federal na eleição interna de 2027. Para Derrite, a expressiva renovação do Parlamento abre caminho para a consolidação de uma liderança alinhada aos valores conservadores e ao equilíbrio institucional.
Como alternativas para conduzir a Casa, Derrite apontou os nomes dos senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), classificando ambos como quadros altamente qualificados da política nacional. O senador eleito defendeu que a presidência do Senado deve estar em sintonia com a base que apoia Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial, enfatizando que o Congresso precisa responder aos anseios da sociedade por representatividade e firmeza na defesa das prerrogativas legislativas.
Mudança na correlação de forças
O cenário para a sucessão legislativa reflete a mudança substancial no equilíbrio de poder resultante da votação de 54 das 81 cadeiras do Senado. Com o avanço das urnas, o Partido Liberal (PL) passa a deter a maior bancada, totalizando 28 senadores — uma fatia superior a um terço do plenário. Em contraste com fevereiro de 2025, quando Alcolumbre foi eleito com uma ampla maioria de 73 votos, o novo desenho das bancadas enfraquece o modelo de consenso suprapartidário anterior e amplia o cacife de siglas conservadoras para lançar candidaturas próprias.
Em termos práticos, enquanto grupos governistas e lideranças tradicionais do centro perdem espaço de articulação exclusiva, a oposição e os defensores do livre mercado e da segurança jurídica ganham força para pautar pautas prioritárias. Além de Derrite, São Paulo garantiu a eleição de André do Prado (PL), resultado diretamente impulsionado pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), demonstrando a força do eleitorado paulista na renovação das instâncias federais.
Próximos passos e articulações em curso
Apesar de antecipar seu posicionamento para 2027, Derrite ressaltou que as negociações formais para a presidência do Senado só serão consolidadas após o término do segundo turno presidencial. Como desdobramento imediato, lideranças como Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Rogério Marinho e o próprio Derrite já articulam mobilizações conjuntas em São Paulo com o objetivo de fortalecer a base política estadual e reunir deputados e prefeitos.
Resta saber, contudo, se a bancada recém-eleita conseguirá manter uma postura coesa diante das pressões regimentais e acordos de comissões que tradicionalmente balizam a votação do presidente do Senado. A postura de outros partidos de centro e a extensão do apoio a Marinho ou Tereza Cristina dependerão também do desfecho da corrida ao Palácio do Planalto, cuja definição ditará o grau de governabilidade e a capacidade de independência do Poder Legislativo a partir de fevereiro de 2027.
O que está em jogo: o controle da pauta legislativa e das prerrogativas do Senado a partir de 1º de fevereiro de 2027, com o PL liderando 28 das 81 cadeiras. A substituição do modelo de Davi Alcolumbre por nomes como Rogério Marinho ou Tereza Cristina define se o Congresso terá postura independente e alinhada às pautas conservadoras ou se manterá a conciliação pragmática com o Executivo.
Com informacoes de revistaoeste.com.