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Declaração de Eduardo Paes sobre ‘corrupção normal’ provoca forte reação da oposição no Rio

Parlamentares do PL criticaram duramente falas do político sobre repasses de empreiteiras e relembraram citações a seu nome em delações da Lava Jato.

Por Redação Ponto FixoPublicado 26/08/2026 às 14h02· 3 min de leitura
Declaração de Eduardo Paes sobre 'corrupção normal' provoca forte reação da oposição no Rio
Foto: Reprodução/Redes sociais

A cena política da capital fluminense foi sacudida por declarações controversas feitas pelo ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) durante um ato de campanha no bairro de Bangu, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ao discursar para o público presente, Paes utilizou termos como “corrupção normal” e mencionou o recebimento de “dinheirinho” de empreiteiras ao abordar casos envolvendo desvios e repasses de empresas ao poder público. O episódio gerou imediata indignação entre membros da oposição na Câmara Municipal, que acusaram o gestor de relativizar práticas ilícitas que drenam os cofres públicos.

Entre as principais vozes críticas esteve a do vereador Rafael Satiê (PL-RJ), que repudiou enfaticamente a naturalização de desvios éticos e legais na administração pública. O parlamentar questionou a lógica do discurso e ressaltou que a tentativa de tratar a ilicitude como rotineira revela uma postura complacente. “Existe corrupção normal? A verdade é que, quando um fato se torna normalizado, é porque a pessoa faz muito. Tudo que se torna normalizado é porque alguém faz muito”, declarou Satiê, apontando que a integridade com o dinheiro do contribuinte deve ser um princípio inegociável em qualquer gestão pública.

Em seu pronunciamento, Satiê aproveitou para resgatar o histórico político do ex-prefeito, lembrando que Paes chegou a ser citado em delações premiadas no âmbito da histórica Operação Lava Jato, figurando inclusive em planilhas da construtora Odebrecht sob a identificação de “Nervosinho”. Para o vereador, a moralidade pública não admite gradações ou justificativas atenuantes: “Não existe corrupçãozinha nem corrupçãozona. Não existe normalização e normatização da corrupção. Quem se corrompe é vagabundo, quem se corrompe é bandido. Quem se corrompe e lesa o erário público merece ir para a cadeia”.

Outro integrante da bancada opositora a se manifestar contra a postura de Paes foi o vereador Poubel (PL-RJ). O parlamentar confrontou o teor do discurso em Bangu com uma queixa-crime movida pelo próprio ex-prefeito contra ele na Justiça, motivada por denúncias de irregularidades no uso de recursos públicos. Poubel apontou uma flagrante incoerência no comportamento do adversário político ao processar opositores enquanto minimiza esquemas ilícitos em palanques eleitorais.

“O processo é porque eu denunciei o desvio de R$ 500 milhões. Mas ontem, em uma fala dele, que não é de surpreender ninguém, ele afirmou que receber um dinheirinho de propina é uma coisa supernormal”, afirmou Poubel, reforçando o contraste entre a postura agressiva no âmbito judicial e o tom permissivo adotado publicamente sobre as relações espúrias entre agentes públicos e grandes empreiteiras.

O que esta em jogo: A controvérsia sobre a fala de Paes evidencia o embate permanente entre visões antagônicas sobre a moralidade pública e a gestão do Estado. O episódio reacende o debate sobre o legado de investigações como a Lava Jato e expõe a resistência da sociedade e de parlamentares conservadores contra qualquer tentativa de rebaixar os padrões éticos exigidos dos homens públicos, lembrando que a preservação do dinheiro do pagador de impostos e a punição severa a desvios são pilares essenciais para a ordem, a justiça e o desenvolvimento do país.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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