Mensagens apreendidas pela Polícia Federal revelam que Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, encaminhou um contrato milionário a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, levantando questionamentos sobre a atuação do escritório de advocacia.

A Polícia Federal (PF) obteve mensagens que indicam que Viviane Barci, advogada e esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, encaminhou diretamente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, a minuta de um contrato de honorários que poderia atingir R$ 129 milhões. As conversas foram extraídas do celular de Vorcaro, apreendido em uma operação policial, e reveladas pelo jornal Estadão.
As mensagens mostram que Viviane Barci enviou a Vorcaro um texto com a minuta do contrato, ao que o empresário respondeu dias depois questionando sobre o procedimento para a assinatura, sugerindo opções eletrônica ou física. O documento, assinado em janeiro de 2024, previa a prestação de serviços jurídicos do escritório Barci de Moraes Associados ao Banco Master junto a órgãos como Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional. O acordo estabelecia um pagamento mensal de R$ 3,6 milhões por três anos, totalizando os R$ 129 milhões até o início de 2027, caso integralmente executado.
A apreensão do celular de Vorcaro ocorreu em novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. O aparelho foi anexado a um inquérito que investiga o vazamento de informações sobre a família de Alexandre de Moraes, com foco na apuração de um possível repasse dessas informações à imprensa pelo perito João Cláudio Nabas. A inclusão do contrato de honorários no bojo dessa investigação amplia o escopo das apurações.
Em nota, o escritório de Viviane Moraes defendeu a legalidade e a natureza dos serviços prestados, afirmando que a consultoria se concentrou na revisão do programa de compliance, políticas de prevenção à lavagem de dinheiro, Código de Ética e normas internas, incluindo aquelas relacionadas ao relacionamento com o poder público. O escritório informou ter realizado 94 reuniões de trabalho e produzido 36 pareceres e opiniões legais sobre diversos temas.
Dados da Receita Federal apontam que o escritório recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. Esse montante tem sido notado, especialmente porque Viviane figurava em um número limitado de processos judiciais envolvendo a instituição financeira. A atuação dos dois filhos de Moraes no escritório também adiciona uma camada de interesse público a este caso, ressaltando a relevância do debate sobre transparência e ética em relações entre o judiciário e o setor privado.
O que está em jogo: A revelação do contrato e seu montante expressivo levanta discussões sobre as relações entre membros do poder judiciário e empresas privadas, bem como a necessidade de transparência em acordos de advocacia que podem gerar questionamentos éticos e de conduta.
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