Deputados do PT, PCdoB, Psol e Rede pedem fim de sigilo sobre caso ligado a Flávio Bolsonaro e questionam atuação de Mendonça em meio à pressão da oposição sobre Moraes.

Em uma evidente movimentação política destinada a reequilibrar a narrativa pública em Brasília, parlamentares dos partidos PT, PCdoB, Psol e Rede ingressaram nesta quarta-feira, 2, com uma petição direcionada ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. O grupo de esquerda demanda a derrubada do sigilo judicial nas apurações referentes ao caso batizado de Dark Horse, que envolve o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de tentar levantar suspeitas sobre a conduta do relator do processo na Corte, o ministro André Mendonça.
A manobra da bancada governista ocorre no momento exato em que a oposição parlamentar intensifica cobranças severas contra a atuação do ministro Alexandre de Moraes, motivadas por revelações que associam o magistrado a Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. Nos últimos dias, membros do Partido Liberal (PL) passaram a articular e exigir publicamente o impeachment e a renúncia de Moraes, estendendo os pedidos de afastamento ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Na representação enviada a Fachin, os deputados sustentam haver disparidade de tratamento nas decisões processuais de Mendonça relativas aos desdobramentos ligados ao Banco Master. Argumentam que o ministro retirou o segredo de justiça de procedimentos que atingiam o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o próprio Moraes, mantendo, em contrapartida, o caráter reservado dos autos sobre Flávio Bolsonaro. Diante disso, alegam a necessidade de uma fundamentação uniforme para a publicidade dos casos sob a mesma relatoria.
A petição da esquerda também tenta explorar ilações sobre um suposto encontro reservado entre André Mendonça e Vorcaro em março de 2025, período em que a instituição financeira enfrentava entraves regulatórios junto ao Banco Central. No entanto, o próprio texto protocolado pelos parlamentares admite a total ausência de provas materiais, reconhecendo não ter sido possível atestar a autenticidade das informações e afirmando expressamente que não há registros de atos praticados pelo ministro para favorecer ou prejudicar quaisquer envolvidos.
O cerne da investigação do projeto Dark Horse diz respeito a repasses para a produção de uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As representações citam negociações estimadas em R$ 134 milhões, com pagamentos apontados de ao menos R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025, além de uma transação posterior de US$ 1,66 milhão identificada pelo Coaf em setembro daquele ano — elevando o montante mapeado para cerca de US$ 12,3 milhões. Flávio Bolsonaro já confirmou ter solicitado apoio para a viabilização da obra, ressaltando a total legalidade e ausência de irregularidades no processo.
O que esta em jogo: A ofensiva contra André Mendonça expõe a tática da esquerda de criar cortinas de fumaça regimentais no STF para neutralizar o desgaste sofrido pela ala mais ativista do tribunal. Ao tentar arrastar Mendonça para a arena da suspeição sem apresentar indícios concretos, as legendas governistas buscam constranger magistrados de perfil técnico e garantista, visando equilibrar o jogo político em um momento no qual os excessos judiciais e as cobranças por freios institucionais atingem o ápice no Congresso Nacional.
Com informacoes de revistaoeste.com.