Mais de 21% do eleitorado faltou ao primeiro turno de 2026, contingente que supera a população inteira do Marrocos e preocupa a Justiça Eleitoral.

O comparecimento às urnas no primeiro turno das eleições gerais de 2026 acendeu um sinal de alerta no cenário político nacional. Nada menos que 33,4 milhões de brasileiros deixaram de exercer o direito ao voto, o que corresponde a uma taxa de abstenção de 21,08% entre os 158,7 milhões de cidadãos aptos a participar do pleito. Trata-se do maior índice de ausência registrado em uma eleição geral no país desde 1998, quando o percentual atingiu a marca histórica de 21,49%.
Para se ter uma dimensão do contingente que optou por não comparecer às seções eleitorais, o volume de 33,4 milhões de ausentes equivale a toda a população do Marrocos. Quando somados aos 2,2 milhões de votos em branco e aos 3,6 milhões de votos nulos apurados na disputa pela Presidência da República, o total de eleitores que não destinaram apoio a nenhum projeto político ultrapassa quase 40 milhões de pessoas, superando os 125,2 milhões que efetivamente escolheram um candidato nas urnas.
Curva histórica de desengajamento cívico
O resultado consolida uma trajetória contínua de desengajamento cívico observada nas últimas disputas presidenciais. O percentual de 21,08% deste ano superou a abstenção do primeiro turno de 2022, quando 20,95% dos eleitores (cerca de 32,7 milhões) se ausentaram. Essa curva de distanciamento das urnas vem em expansão consistente ciclo após ciclo: em 2018, a taxa havia sido de 20,33%, enquanto em 2014 ficara em 19,39%, demonstrando uma erosão paulatina da participação popular ao longo da última década.
A distribuição geográfica das ausências expõe disparidades marcantes entre as unidades da federação. O Estado de Mato Grosso do Sul liderou o índice nacional de não comparecimento, com 23,85% de abstenção, acompanhado de perto por Rio de Janeiro (23,31%), Minas Gerais (22,62%) e São Paulo (22,54%) — três dos maiores colégios eleitorais do país. Em contrapartida, o Ceará registrou a menor taxa de ausência, com 15,33%, seguido por Piauí (17,07%), Roraima (17,10%) e Sergipe (17,27%).
Estratégias e lacunas para o segundo turno
Diante do quadro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, declarou publicamente que a Corte pretende intensificar ações institucionais para estimular a presença popular no segundo turno, enfatizando que um índice próximo de 20% “não é o ideal”. Os cidadãos que faltaram à primeira etapa permanecem aptos a votar no turno decisivo, desde que estejam com a situação regularizada perante a Justiça Eleitoral, restando a obrigatoriedade de justificar a falta ou recolher a multa estipulada em R$ 3,51 por turno não votado.
Resta saber, contudo, em que medida as campanhas conseguirão convencer essa massa desinteressada a comparecer no segundo turno e qual fatia desse eleitorado ausente responde à desilusão política ou a dificuldades logísticas. Não está detalhado, tampouco, que formatos práticos de mobilização o tribunal adotará para sensibilizar os mais de 33 milhões de ausentes em um intervalo de poucas semanas.
O que está em jogo: A capacidade de atrair os 33,4 milhões de eleitores ausentes no primeiro turno definirá o equilíbrio de forças no segundo turno de 2026, obrigando os candidatos a disputar quem não foi votar em praças decisivas como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, enquanto o TSE de Kassio Nunes Marques tenta frear a escalada da abstenção antes do encerramento do calendário eleitoral.
Com informacoes de revistaoeste.com.