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Flávio veta clã em 2030 e mira fim da reeleição

Flávio Bolsonaro descarta parentes na disputa pelo Planalto em 2030, rebate presidente do PL e propõe PEC para vetar reeleição já em 2027.

Por Redação Ponto FixoPublicado 08/10/2026 às 18h02· 4 min de leitura
Flávio veta clã em 2030 e mira fim da reeleição
Foto: Unknown photographerUnknown photographer / Wikimedia

Em meio às negociações de segundo turno na corrida ao Palácio do Planalto, o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) estabeleceu um freio público às pretensões de seu próprio grupo político. Durante evento político com correligionários do Podemos, que oficializou apoio à sua chapa, o parlamentar garantiu que nenhum membro de sua família disputará o comando do Executivo em 2030 caso ele saia vitorioso no pleito. O posicionamento funciona como uma resposta institucional direta e imediata a uma declaração do presidente nacional de sua legenda, Valdemar Costa Neto, que havia sugerido abertamente o retorno do ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato na sucessão seguinte sob o argumento de que “o povo vai querer”.

Rejeitando a articulação partidária, Flávio classificou o movimento de bastidor como descabido. “Houve uma fala aí também desencaixada que o Bolsonaro poderia ser candidato em 2030. Se eu for presidente da República, em 2030 nenhum parente meu poderá ser candidato”, cravou o senador. O gesto tenta desarmar temores de perpetuação familiar e reforçar compromissos institucionais caros à alternância republicana de poder, sinalizando a aliados de centro que o comando do Estado não se tornará um projeto hereditário.

Freio na reeleição e novas regras

Para conferir peso legal à promessa, o candidato sustenta sua posição em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de sua autoria, protocolada no Senado Federal em março. A matéria visa a extinguir a reeleição para a Presidência da República, incidindo diretamente sobre um eventual mandato iniciado já em 2027. Além de dar fim à recondução contínua ao cargo máximo do Executivo, a proposta pretende endurecer os limites da Carta Magna: enquanto o texto constitucional vigente veda a candidatura de cônjuges e parentes consanguíneos até o segundo grau no território de jurisdição do titular — ressalvadas hipóteses legais de reeleição —, o texto de Flávio estende o impedimento até o terceiro grau de parentesco, inviabilizando de forma categórica a postulação de seu pai, Jair Bolsonaro.

O compromisso ganha perspectiva numérica diante da expressiva dimensão que a família Bolsonaro atingiu nas urnas em 2026. Além da disputa encabeçada por Flávio, outros sete parentes concorreram a cargos eletivos no país. O balanço resultou em quatro vitórias estratégicas no Legislativo: Michelle Bolsonaro conquistou cadeira no Senado pelo Distrito Federal, Carlos Bolsonaro sagrou-se senador por Santa Catarina, Jair Renan garantiu vaga de deputado federal pelo mesmo estado e Renato Bolsonaro foi eleito deputado federal por São Paulo. O clã somou ainda três derrotas: Rogéria Bolsonaro terminou como suplente a deputada federal pelo Rio de Janeiro, enquanto Marcelo e Valéria Bolsonaro não obtiveram mandatos na Assembleia de São Paulo. A força obtida no parlamento ilustra tanto o peso eleitoral quanto o risco de saturação que o candidato agora busca mitigar ao vetar o topo do poder para seus familiares diretos.

Tramitação e indefinições no Congresso

No tabuleiro de perdas e ganhos, a postura de Flávio agrada a setores liberais e parlamentares moderados que temem excessos dinásticos, assegurando que outros atores da centro-direita possam pleitear a liderança do bloco em 2030 sem enfrentar a concorrência prévia do patriarca. Por outro lado, a medida impõe uma contenção ao próprio Valdemar Costa Neto e à cúpula do Partido Liberal, que pretendiam capitalizar continuadamente a figura do ex-presidente como cabo de guerra perpétuo para aglutinar votos e recursos partidários no médio prazo.

O próximo passo prático dependerá da capacidade de articulação legislativa caso a candidatura saia vitoriosa no segundo turno. A PEC terá de passar por comissões e por votações em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Todavia, ainda não se sabe qual será o arranjo final da proposta: o próprio Flávio admitiu que pontos cruciais seguem em aberto, como a definição da extensão do mandato presidencial — se mantido em quatro anos ou ampliado para cinco —, bem como eventuais modificações que líderes partidários possam impor ao texto original para preservar brechas ou negociar apoios na futura base aliada.

O que está em jogo: a aprovação da PEC de Flávio Bolsonaro no Congresso Nacional definirá se a vedação de reeleição e o impedimento a parentes de terceiro grau valerão a partir de 2027, o que retirará Jair Bolsonaro do xadrez da Presidência em 2030 e abrirá a disputa da direita para novos nomes partidários, dependendo da votação das duas Casas legislativas e da fixação dos mandatos em quatro ou cinco anos.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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