Estados Unidos ampliam sanções contra o regime cubano, bloqueiam transações bancárias e impõem restrições severas a viagens.

O governo dos Estados Unidos anunciou uma ampliação substancial nas sanções econômicas e financeiras direcionadas ao regime comunista de Cuba. A decisão, oficializada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), vinculado ao Departamento do Tesouro americano, impõe novas travas rigorosas a operações bancárias internacionais e restringe drasticamente as licenças de viagem outrora concedidas a cidadãos dos Estados Unidos.
Fim das brechas no sistema bancário
As novas diretrizes da OFAC estabelecem a proibição expressa de transações financeiras “indiretas” com entidades cubanas sancionadas, mirando prioritariamente as estruturas vinculadas ao aparato de segurança estatal e à Gaesa, o conglomerado empresarial controlado pelas Forças Armadas da ilha. Em termos práticos, a Casa Branca extinguiu a permissão para as operações conhecidas como “U-Turn”, mecanismo em vigor desde 2024 que viabilizava a bancos norte-americanos o processamento de fluxos em dólares ligados a Cuba, desde que remetente e destinatário estivessem fora do território dos EUA.
Além de barrar a circulação cambial, a administração republicana revogou a autorização que permitia a instituições financeiras dos Estados Unidos a abertura e manutenção de contas bancárias em benefício direto de cidadãos cubanos categorizados como empreendedores independentes do setor privado. Essa facilidade havia sido implementada em 2024, durante o mandato do democrata Joe Biden, sob a justificativa de fomentar a incipiente iniciativa privada local, mas agora é eliminada sob a premissa de sufocar qualquer via indireta de financiamento ao regime.
Revisão diplomática e cerco econômico
No setor de mobilidade e turismo, o endurecimento sepulta regras mais flexíveis instituídas originalmente pelo governo de Barack Obama. Categorias como viagens de intercâmbio cultural — designadas formalmente como “pessoa a pessoa” (people-to-people) —, além da participação em conferências acadêmicas e encontros de negócios, voltam a exigir autorizações prévias e rigorosas do governo americano para que cidadãos possam se deslocar à ilha caribenha.
A escalada de restrições reflete o aprofundamento das tensões bilaterais desde o retorno de Donald Trump à Presidência. O líder republicano sustenta que a ilha — geograficamente localizada a apenas 150 quilômetros da costa da Flórida — atua como uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional americana e já manifestou a intenção de “assumir o controle” territorial do país vizinho com vistas a forçar uma transição política em Havana. Essa pressão se soma ao bloqueio fático sobre as exportações de petróleo em curso desde janeiro de 2026, fator que atinge diretamente o abastecimento da população de 9,4 milhões de habitantes.
O que está em jogo: A medida aperta o cerco sobre os recursos captados pela Gaesa e pelas Forças Armadas cubanas, ao mesmo tempo em que restringe a atividade de pequenos comerciantes locais e interrompe o fluxo de dólares intermediado por bancos norte-americanos. Resta saber se o isolamento financeiro acelerará o colapso da infraestrutura energética de Havana ou se a cúpula do regime buscará alternativas de socorro econômico em parceiros estratégicos fora do alcance da jurisdição da OFAC.
Com informacoes de oantagonista.com.br.