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Governo Lula veta bets e retém R$ 2,5 bi pagos por empresas

Após arrecadar bilhões com outorgas, governo Lula proíbe apostas on-line e nega devolução de taxas pagas pelas empresas do setor.

Por Redação Ponto FixoPublicado 26/09/2026 às 15h02· 3 min de leitura
Governo Lula veta bets e retém R$ 2,5 bi pagos por empresas
Foto: Agência Brasil/EBC

Em uma guinada regulatória que abala o ambiente de negócios e a segurança jurídica no país, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a proibição total do funcionamento de plataformas de apostas esportivas e cassinos on-line, as chamadas bets. O anúncio, oficializado nesta sexta-feira, 25, veio acompanhado da confirmação de que a União não devolverá os valores milionários pagos pelas empresas privadas para obter licença de operação no território nacional.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, sustentou a decisão afirmando que o pagamento das taxas não gera obrigação de ressarcimento pelo poder público. Segundo o ministro, a concessão possuía caráter transitório: “A outorga foi uma contraprestação feita naquele momento por uma autorização que tem por natureza precária viabilizar a autorização dessas empresas. Portanto, não haverá devolução das outorgas”. A declaração ignora os vultosos aportes do setor privado e gera forte incerteza sobre o respeito a contratos prévios firmados com o Estado.

Arrecadação bilionária e insegurança no mercado

A cifra retida pelo Palácio do Planalto expõe a dimensão do conflito. Desde que o Congresso Nacional aprovou a regulamentação do setor em 2023, o governo federal arrecadou cerca de R$ 2,5 bilhões apenas com outorgas. Cada empresa desembolsou R$ 30 milhões para garantir uma licença válida por cinco anos — custo que agora é inteiramente absorvido pela Fazenda sem qualquer contrapartida temporal. O valor de cada licença equivalia ao investimento anual de dezenas de médias empresas no Brasil, montante que agora se perde sob a alegação governamental de precariedade regulatória.

De um lado, as empresas de tecnologia, apostas e clubes esportivos perdem contratos vultosos, investimentos em infraestrutura e empregos gerados no país; de outro, o caixa da União preserva uma arrecadação bilionária obtida sob regras que o próprio Executivo decidiu revogar abruptamente. O ministro Durigan ainda acrescentou que o governo pretende calcular supostos valores devidos aos apostadores e eventuais danos causados à sociedade, abrindo caminho para mais litígios contra as empresas que operavam sob a égide da lei de 2023.

Prazos da MP e fiscalização federal

A nova Medida Provisória estabelece prazos rígidos e mecanismos punitivos imediatos. Cassinos virtuais, apostas esportivas e jogos como o popular “Tigrinho” estão vetados. Os apostadores têm prazo limite até 5 de outubro para realizar o saque dos saldos mantidos nas contas virtuais. Na mesma data, expira o prazo para que as companhias retirem toda publicidade física e digital e cessem patrocínios em vigor no território nacional.

Para forçar o cumprimento da medida, o Executivo anunciou uma força-tarefa que envolve a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e plataformas de lojas de aplicativos, com a finalidade de derrubar sites e programas irregulares. Em paralelo, a Advocacia-Geral da União (AGU) atuará para expropriar contas bancárias de plataformas não autorizadas, com a previsão de reverter tais recursos para o financiamento da segurança pública.

Apesar do anúncio oficial e do rigor fiscalizatório, pontos cruciais do processo permanecem sem resposta: ainda não se sabe qual critério técnico e contábil a Fazenda utilizará para apurar os supostos danos das operadoras à sociedade, nem se a União possui suporte orçamentário para eventuais indenizações caso o Judiciário considere a retenção dos R$ 2,5 bilhões inconstitucional.

O que está em jogo: A medida entra em vigor imediatamente, mas o Congresso Nacional terá até 120 dias para decidir se aprova ou rejeita a Medida Provisória, enquanto os apostadores precisam retirar seus recursos até 5 de outubro e as empresas de apostas preparam contestações judiciais para recuperar os R$ 30 milhões pagos por cada outorga.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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