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Sigilo do Itamaraty esconde recusa a combater PCC

Governo Lula isola o Brasil na ONU ao rejeitar pacto de 14 países contra o PCC e impõe sigilo a análises que alegavam risco de invasão militar.

Por Redação Ponto FixoPublicado 26/09/2026 às 11h02· 3 min de leitura
Sigilo do Itamaraty esconde recusa a combater PCC
Foto: Agência Brasil/EBC

A diplomacia conduzida pelo Ministério das Relações Exteriores sob a chefia de Mauro Vieira tem colocado o Brasil em rota de colisão com as principais diretrizes de cooperação e segurança no continente. O isolamento do país ficou evidente na reunião de cúpula do Escudo das Américas, realizada em 22 de setembro à margem da Assembleia Geral da ONU, quando 14 nações latino-americanas e caribenhas — incluindo vizinhos como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru — firmaram com os Estados Unidos um acordo para enquadrar 24 organizações, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como grupos narcoterroristas. Ausente da mesa de negociações, o Executivo brasileiro soube da inclusão das duas facções domésticas apenas pelos noticiários, expondo a irrelevância diplomática da maior economia do bloco em um tema crucial para a segurança regional.

Isolamento regional e retórica de palanque

O episódio recente é fruto de uma escalada de atritos que ganhou tração quando os Estados Unidos designaram formalmente o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras em 5 de junho. Longe de representar uma ameaça armada tradicional, a medida norte-americana foca no estrangulamento financeiro, no cancelamento de vistos, na cooperação penal e no bloqueio de ativos em trânsito no sistema bancário internacional. No entanto, em resposta a requerimento do deputado federal Evair de Melo protocolado em 1º de julho, o chanceler Mauro Vieira sustentou perante a Câmara dos Deputados o argumento de que haveria “risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional”. A declaração foi prontamente desmentida pelo Departamento de Estado americano, que a classificou como absurda, revelando o uso de justificativas infundadas para afastar o escrutínio internacional sobre o crime organizado.

Operações revelam poderio financeiro do crime

A gravidade da recusa em cooperar com normas antiterrorismo internacionais ganha contornos mais nítidos quando se observa o volume e a complexidade do capital movimentado pelas facções. Em agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto desvendou esquemas de lavagem de dinheiro que conectavam o crime organizado a distribuidoras de combustíveis, fintechs e fundos de investimento com tentáculos no coração financeiro da Faria Lima, transacionando dezenas de bilhões de reais. Ao manter as investigações sob jurisdição estritamente nacional e barrar a aplicação de mecanismos globais de rastreamento do sistema do dólar, o Planalto protege o próprio ritmo de fiscalização doméstica, evitando admitir a falência das políticas de segurança tradicionais que a oposição frequentemente aponta.

Opacidade diplomática e lacunas sem resposta

Na divisão de perdas e ganhos, a sociedade civil e as forças de segurança que combatem o crime nas fronteiras saem prejudicadas pelo enfraquecimento da cooperação multilateral, enquanto as facções preservam rotas e operadores blindados contra sanções extraterritoriais. Paralelamente, o Itamaraty vem aplicando carimbos de reserva e sigilos de 5 a 15 anos a relatórios técnicos e telegramas confidenciais — prática já registrada em fevereiro de 2025 —, o que impede o Parlamento e a sociedade de verificarem a base documental das decisões externas. Resta em aberto, portanto, o que fundamentou a avaliação catastrófica de Mauro Vieira enviada ao Congresso: se relatórios formais da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sustentaram a tese de intervenção militar ou se o parecer consistiu em mera conveniência política mantida trancada em cofres ministeriais.

O que está em jogo: A recusa do governo Lula em alinhar o Brasil aos 14 países signatários do Escudo das Américas deixa o país de fora do congelamento integrado de ativos do PCC e do CV. Nos próximos meses, caberá à Câmara dos Deputados exigir a abertura dos documentos sob sigilo que embasaram a resposta do chanceler Mauro Vieira ao deputado Evair de Melo, enquanto as autoridades financeiras testarão a eficácia das apurações domésticas da Operação Carbono Oculto sem o suporte direto das sanções econômicas do Departamento de Estado norte-americano.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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