Coordenador da Secom compartilhou post que incentivava difusão de boato contra Flávio Bolsonaro. Ministro do TSE mandou apagar publicação.

O coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, George Marques, envolveu-se em controvérsia institucional ao compartilhar uma mensagem que incitava explicitamente a propagação de desinformação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A postagem difundia a alegação inverídica de que o parlamentar e sua legenda pretendiam revogar o título de padroeira do Brasil concedido a Nossa Senhora Aparecida, atingindo a fé do eleitorado católico.
O episódio ganha contornos mais graves pelo papel exercido por Marques no aparato estatal de comunicação do Palácio do Planalto. O texto original replicado, de autoria de Magdiel Alves, orientava expressamente os usuários a ignorar retratações e a continuar disseminando a alegação em regiões específicas: “Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. Eles [conservadores] fizeram isso em outras eleições e quase nos ferram. Inclusive com ajuda de uma TV (Jovem Pan). Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte”. Horas após a repercussão, a publicação foi excluída.
Alcance massivo e decisão judicial
O impacto da narrativa distorcida atingiu proporções alarmantes no ambiente digital. Conforme relatório apresentado pela defesa de Flávio Bolsonaro à Justiça Eleitoral, foram contabilizadas 2 mil postagens originadas em 1,6 mil perfis diferentes. Em termos de escala, a onda desinformativa acumulou mais de 21 milhões de visualizações, somando aproximadamente 1,5 milhão de curtidas e ultrapassando a marca de 300 mil compartilhamentos, o que gerou forte comoção nas redes sociais.
Diante desse cenário, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), classificou o conteúdo como “notoriamente inverídico” e ordenou a remoção imediata das publicações em plataformas como X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube. O senador negou veementemente a autoria de qualquer proposta contra o patronato de Nossa Senhora Aparecida, reafirmou seu respeito a todas as confissões religiosas e atribuiu a autoria da campanha enganosa ao PT.
Origem do projeto e lacunas administrativas
A manipulação política resgatou um episódio legislativo antigo e alheio à família Bolsonaro: o Projeto de Lei 2.623 de 2007, proposto pelo então deputado Professor Victório Galli (PMDB-MT). O texto da época sugeria alterar os termos da lei para restringir a condição de padroeira apenas aos fiéis católicos. No entanto, a proposição foi rejeitada formalmente pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados em 2008, ano em que acabou arquivada em definitivo pelo parlamento.
Questionado sobre o caso, George Marques declarou não se lembrar de ter compartilhado a mensagem e justificou que o ato ocorreu como um “erro involuntário” em meio a outras postagens em seu perfil, o qual descreve como pessoal. Contudo, resta em aberto se o Palácio do Planalto ou a chefia da Secom abrirão procedimentos internos para apurar a conduta de um ocupante de cargo comissionado na amplificação deliberada de boatos contra adversários políticos, além de eventuais desdobramentos em representações judiciais.
O que está em jogo: a apuração sobre a conduta ética de integrantes da Secom do governo federal e a fiscalização de práticas de difamação eleitoral pelo TSE, que já determinou a exclusão das mensagens das redes sociais e pode avaliar desdobramentos para os responsáveis pelas postagens que atingiram 21 milhões de visualizações.
Com informacoes de revistaoeste.com.