Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirma intimação da Polícia Federal para depor em inquérito que envolve cúpula da autarquia.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou publicamente que foi formalmente intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento no âmbito das investigações do caso Banco Master. O inquérito em andamento apura suspeitas de atuação irregular de funcionários da autoridade monetária para beneficiar Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira. Embora Galípolo tenha afirmado que não se recorda da data exata marcada para a oitiva, indicou que o procedimento deve ser realizado no início de outubro.
Cúpula do Banco Central sob investigação
O avanço das investigações sobre a relação do Banco Master com a autarquia não atinge apenas a atual gestão de Galípolo. A Polícia Federal também expediu intimações para o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, antecessor imediato no cargo, e para o atual diretor de fiscalização da autoridade financeira, Ailton Aquino. As oitivas buscam esclarecer a extensão dos contatos institucionais e eventuais favorecimentos ao empresário do setor bancário durante diferentes períodos de comando da autarquia.
Além das autoridades regulatórias, o alcance das apurações atingiu outros agentes do sistema financeiro nacional. O banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, também foi intimado pelos investigadores para prestar esclarecimentos no mesmo processo. O caso ganhou tração após revelações de que Daniel Vorcaro teria chegado a cogitar medidas contra o próprio Banco Central após a autoridade ter vetado operações ligadas ao Banco de Brasília (BRB), ampliando os atritos entre o fiscalizador e o fiscalizado.
Pontos ainda não esclarecidos nas investigações
Apesar do anúncio dos depoimentos, a Polícia Federal ainda não divulgou publicamente quais condutas específicas ou transações regulatórias motivaram a convocação simultânea da atual e da antiga cúpula do órgão fiscalizador. Não se sabe, até o momento, a extensão das supostas interferências internas no Banco Central nem o teor das provas já anexadas aos autos sobre a conduta individual de cada um dos intimados, restando em aberto se as oitivas serão tomadas sob a condição de testemunhas ou investigados.
O desdobramento direto afeta a estabilidade institucional e a credibilidade técnica do órgão responsável pela higidez do sistema bancário brasileiro, exigindo máxima transparência para afastar desconfianças sobre a supervisão financeira do país. Enquanto os investigadores preparam a tomada dos depoimentos, o mercado acompanha a capacidade de resposta das autoridades para evitar que crises reputacionais contaminem o ambiente regulatório e a governança dos mercados de capitais.
O que está em jogo: a integridade regulatória do Banco Central diante das suspeitas de favorecimento a Daniel Vorcaro, cabendo à Polícia Federal colher os depoimentos de Gabriel Galípolo, Roberto Campos Neto e Ailton Aquino em outubro para determinar se houve ingerência indevida na fiscalização bancária nacional.
Com informacoes de revistaoeste.com.