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Ruínas de 2.500 anos no Irã revelam segredos de Ciro

Antiga capital fundada por Ciro, o Grande guarda túmulo intacto e engenharia antissísmica que desafiou 25 séculos na região do atual Irã.

Por Redação Ponto FixoPublicado 24/09/2026 às 06h02· 3 min de leitura
Ruínas de 2.500 anos no Irã revelam segredos de Ciro
Foto: Reprodução

Fundada no século VI a.C., Pasárgada permanece como um dos mais impressionantes testemunhos materiais da Antiguidade no atual território do Irã. Erguida por Ciro, o Grande após a vitória decisiva sobre o Império Medo em 550 a.C., a localidade em Fars serviu como o berço da dinastia Aquemênida e a primeira grande capital de um império que redefiniu o mapa político do Oriente Médio. O sítio reúne palácios monumentais, fortificações no topo de colinas e canais de irrigação que marcaram a gênese do urbanismo imperial.

Engenharia que desafiou milênios e terremotos

O maior destaque arquitetônico do complexo é a tumba de Ciro, uma estrutura sóbria composta por degraus piramidais e uma câmara funerária retangular. Documentos chancelados pela UNESCO atestam que a edificação atravessou praticamente intocada duas dezenas e meia de séculos — um intervalo de 2.500 anos que supera com folga a própria era cristã. Esse feito não decorre do acaso, mas de uma sofisticada técnica de isolamento de base e encaixes metálicos entre as rochas, pioneirismo antissísmico persa que impediu o colapso do monumento frente aos recorrentes tremores tectônicos da região.

Além da função defensiva e fúnebre, a antiga capital consolidou o modelo de jardins reais conhecido historicamente como chahar bagh. A divisão em quadrantes perfeitos abastecidos por canais contínuos de pedra estabeleceu um padrão paisagístico e de gestão hídrica copiado em diversas regiões nos séculos seguintes. As colunas esguias de calcário e os pórticos abertos do Palácio de Audiências e da Residência Real integraram influências artísticas dos povos subjugados sob uma administração centralizada, servindo de matriz estética direta para a posterior construção de Persépolis.

Preservação moderna e lacunas históricas

Nas escavações promovidas no sítio, a descoberta de selos reais, inscrições cuneiformes e joias de ouro revelou o nível de complexidade burocrática da corte persa, enquanto ferramentas agrícolas e cerâmicas apontam para uma força produtiva diversificada. De um lado, ganham arqueólogos, historiadores e a memória cultural do Oriente Médio, que encontram ali o registro vivo de uma gestão de Estado pragmática; de outro, perdem as narrativas reducionistas que ignoram o domínio tecnológico de civilizações pré-clássicas. Atualmente, o trabalho de conservação depende do emprego de fotogrametria digital para mapear blocos e de tratamentos químicos contínuos para conter os danos causados pela erosão do vento e da umidade.

Apesar dos avanços tecnológicos aplicados ao sítio, a arqueologia ainda não desvendou a totalidade da malha urbana ao redor do complexo palaciano, restando dúvidas sobre como a população comum de Pasárgada se organizava e até que ponto a cidade continuou habitada após a transferência do centro de poder político para Persépolis por Dario I. Permanece em aberto também a localização de outras estruturas civis e templos menores que podem ter sido consumidos pela ação do tempo.

O que está em jogo: A integridade física das ruínas de Pasárgada depende diretamente da capacidade técnica das equipes de restauro no Irã em manter tratamentos protetores nas colunas de calcário e conter o desgaste natural da pedra. Observa-se a partir de agora se a cooperação com entidades internacionais de patrimônio conseguirá expandir os mapeamentos tridimensionais sem que as intempéries acelerem a perda de inscrições cuneiformes e detalhes estruturais dos canais reais.

Com informacoes de oantagonista.com.br.

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