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Com só um voto, Bachelet desiste da chefia da ONU

Após revés no Conselho de Segurança da ONU e perda de apoio do Chile, Michelle Bachelet retira candidatura à Secretaria-Geral.

Por Redação Ponto FixoPublicado 20/09/2026 às 17h02· 3 min de leitura
Com só um voto, Bachelet desiste da chefia da ONU
Foto: Lula Oficial / Wikimedia

A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet anunciou formalmente neste sábado, 19, a retirada de sua candidatura ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O recuo ocorreu após uma expressiva perda de sustentação na terceira consulta informal do Conselho de Segurança, realizada na sexta-feira, 18. Na ocasião, a socialista obteve apenas um voto favorável entre os 15 integrantes do colegiado, além de 11 votos contrários e três posições neutras, o que inviabilizou a continuidade de suas pretensões diplomáticas de liderar a entidade máxima global.

O isolamento de Bachelet é o desfecho de uma trajetória de declínio nas votações secretas do conselho ao longo dos últimos meses. Em julho, a chilena chegou a somar seis votos favoráveis, número que caiu para dois em agosto e culminou na quase nulidade na rodada mais recente. O revés também carrega um forte componente político regional: em março, o governo de seu próprio país, sob a liderança do presidente de direita José Antonio Kast, retirou oficialmente o respaldo diplomático à sua postulação. Apesar do rompimento interno, governos alinhados à esquerda, como o Brasil e o México, mantiveram a sustentação de seu nome até o momento de sua desistência.

Isolamento político e a disputa pelo comando

A desistência de Bachelet representa uma clara derrota política para as lideranças latino-americanas que buscavam projetar sua figura histórica no topo da governança global, ao mesmo tempo em que fortalece outros nomes da região que disputam a vaga. Em sua mensagem de despedida em vídeo, na qual agradeceu a Brasília e à Cidade do México, a chilena tentou minimizar o desgaste ao afirmar que não se arrependeu da tentativa e que sua campanha contribuiu para pautar a possibilidade de uma mulher latino-americana assumir o posto mais alto das Nações Unidas.

A sucessão do português António Guterres, cujo segundo mandato se encerra em 31 de dezembro de 2026, segue aberta e concorrida. O Conselho de Segurança tem a prerrogativa de indicar um único nome para aprovação da Assembleia Geral, órgão composto por 193 Estados-membros. Na mesma rodada de consultas, outras candidatas mostraram maior competitividade: a costarriquenha Rebeca Grynspan obteve nove votos favoráveis, cinco contrários e uma abstenção, enquanto Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana, alcançou oito apoios, seis rejeições e uma indefinição. A disputa reúne ainda o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, a equatoriana Maria Fernanda Espinosa e o ex-presidente do Senegal Macky Sall.

Os próximos passos diplomáticos na ONU

O processo de escolha ganha novos contornos a partir da próxima terça-feira, 22, quando chefes de Estado e de governo se reunirão em Nova York para o debate geral da 81ª sessão da ONU. Embora o cenário aponte para a pressão histórica por uma liderança feminina — fato inédito em mais de 80 anos de fundação da organização —, ainda permanece incerto como os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança exercerão seu poder de veto nas próximas rodadas, elemento decisivo que tradicionalmente define a escolha final antes do envio do nome à Assembleia Geral.

O que está em jogo: A saída de Michelle Bachelet reduz a fragmentação entre candidaturas latino-americanas e força governos como o do Brasil e do México a recalibrarem suas estratégias diplomáticas, transferindo suas atenções para nomes como Rebeca Grynspan ou Carolyn Rodrigues-Birkett. O foco a partir de agora recai sobre as negociações de bastidores durante a 81ª sessão da ONU em Nova York, que definirão se o Conselho de Segurança conseguirá consolidar um consenso antes do término do mandato de António Guterres em 31 de dezembro de 2026.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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