Carolyn Rodrigues-Birkett, diplomata da Guiana que lidera a disputa pela Secretaria-Geral da ONU, tem histórico de homenagens ao regime cubano e acusações de genocídio contra Israel.

A diplomata Carolyn Rodrigues-Birkett, representante da Guiana e apontada como a principal concorrente para assumir o posto de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), teve seu histórico diplomático e declarações passadas expostos recentemente em um editorial do jornal norte-americano Wall Street Journal. O resgate dessas posições ocorre no momento em que ela desponta à frente no processo de escolha para a mais alta liderança da entidade multilateral.
Em duas consultas informais realizadas em agosto, Rodrigues-Birkett superou outros nomes de peso no cenário diplomático internacional. Ela ficou à frente da costarriquenha Rebeca Grynspan, atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), e do argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), consolidando sua força política nas rodadas preliminares da disputa.
O retrospecto da diplomata, contudo, gera forte repercussão por seu alinhamento com pautas e discursos controversos. Em 5 de setembro de 2024, durante uma sessão do Conselho de Segurança da ONU, Rodrigues-Birkett questionou abertamente quantas mortes ainda seriam necessárias para que a comunidade internacional interviesse e fizesse “parar o genocídio dos palestinos”. Na mesma fala, declarou que o conflito regional não teve início em 7 de outubro de 2023, mas sim em 1948, quando, segundo sua visão, o Estado judeu “rejeitou violentamente a solução de dois Estados”.
Em outras ocasiões perante o Conselho de Segurança, a representante guianense elevou o tom das críticas ao afirmar que Israel colocava em prática “aspirações colonialistas”, chegando a associar as ações do país a uma ideologia baseada em superioridade racial e religiosa. Tais manifestações têm gerado debates intensos entre analistas diplomáticos que avaliam a neutralidade exigida para o comando máximo do organismo internacional.
Além das investidas contra Israel, pesa sobre o currículo da diplomata sua proximidade e admiração pelo regime comunista cubano. Em janeiro de 2013, época em que atuava como ministra das Relações Exteriores da Guiana, Rodrigues-Birkett apresentou uma moção oficial em tributo a Fidel Castro, a quem classificou publicamente como “visionário, determinado, revolucionário”. Na oportunidade, defendeu que o líder cubano merecia honrarias pelo que realizou “pela humanidade em geral”, estendendo votos de “vida longa e boa saúde” a Fidel e ao irmão dele, Raúl Castro.
O que está em jogo: A escolha do secretário-geral da ONU define as prioridades globais e o tom da diplomacia nos temas mais sensíveis da geopolítica moderna, como a mediação de guerras e a defesa das liberdades fundamentais. A liderança de uma figura com histórico de simpatia por regimes autoritários e com posições abertamente hostis a democracias ocidentais, como Israel, pode acentuar a desconfiança sobre a imparcialidade das Nações Unidas e aprofundar a crise de legitimidade dos organismos multilaterais no cenário internacional.
Com informacoes de revistaoeste.com.