Candidato do PL à Presidência levou termos anotados na palma da mão esquerda em sabatina e resgatou estratégia visual marcante das campanhas de Jair Bolsonaro.

Durante a sabatina realizada pela TV Globo nesta sexta-feira, 28, o candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, chamou a atenção do público e dos analistas políticos ao comparecer aos estúdios com anotações visíveis na palma de sua mão esquerda. Conduzida pelos jornalistas Cesar Tralli e Renata Vasconcellos, a entrevista abordou temas centrais da corrida eleitoral, mas foi o detalhe nas mãos do postulante que rapidamente ganhou destaque nos bastidores da transmissão.
Na palma da mão, Flávio escreveu três termos específicos: “Mudança”, “Futuro” e “7/set”. A última inscrição faz referência direta à mobilização convocada pelo próprio candidato para o feriado da Independência do Brasil. Apesar do registro evidente diante das câmeras, o candidato do PL não mencionou explicitamente o ato de 7 de setembro ao longo de sua participação no programa, repetindo um comportamento comunicacional já visto em outros momentos da política nacional.
O recurso visual não é uma novidade na trajetória eleitoral da família e resgata uma prática emblemática de Jair Bolsonaro. Em 2022, quando exercia a Presidência e disputava a reeleição, Bolsonaro compareceu a uma entrevista na mesma emissora com as palavras “Nicarágua”, “Argentina”, “Colômbia” e “Dario Messer” grafadas na mão esquerda. Naquela ocasião, durante a sabatina conduzida por William Bonner e Renata Vasconcellos que durou cerca de 40 minutos, o então presidente também optou por não abordar os temas inscritos durante o tempo de fala.
A estratégia de usar anotações manuais como gatilho de comunicação remonta ainda à vitoriosa campanha de 2018. Naquele pleito, durante passagem pelo Jornal Nacional, Jair Bolsonaro exibiu os dizeres “Deus”, “família” e “Brasil”. Posteriormente, em debate realizado pela RedeTV!, o então candidato anotou os termos “pesquisa”, “armas” e “Lula”. Em disputas anteriores, a coordenação da campanha admitiu que o artifício funciona deliberadamente para aguçar a curiosidade do público e gerar forte engajamento espontâneo nas plataformas digitais, ultrapassando os limites e o tempo de fala da televisão tradicional.
A repercussão desse tipo de expediente costuma transbordar a bolha política tradicional. Na eleição de 2022, por exemplo, a cantora Anitta chegou a publicar uma imagem evidenciando as anotações do ex-presidente, ao que Bolsonaro rebateu publicamente com um “Obrigado, Anitta”, estimulando seus seguidores a pesquisarem sobre o significado de cada palavra exibida em rede nacional.
O que esta em jogo: O uso de palavras-chave anotadas no corpo evidencia a disputa pela narrativa e pelo controle da pauta em momentos de alta exposição na mídia tradicional. Em sabatinas televisivas com regras rígidas de tempo e perguntas formuladas pela emissora, os candidatos buscam formas visuais de pautar as redes sociais e manter seus apoiadores mobilizados em torno de símbolos e datas estratégicas, transferindo a conversa do estúdio de TV para o ambiente digital onde detêm maior capacidade de engajamento.
Com informacoes de revistaoeste.com.