Justiça Eleitoral vetou que Giovanni Calderon dispute a eleição como 'Giovani Sanches' para evitar confusão com o prefeito Lucas Sanches.

A Justiça Eleitoral interveio nas regras de identificação política ao proibir o candidato a deputado estadual Giovanni Giudice Calderon (PL) de utilizar o nome de urna “Giovani Sanches” nas eleições de 2026. A determinação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) fundamenta-se no fato de que o postulante não possui qualquer laço de parentesco civil com o prefeito de Guarulhos, Lucas Sanches (PL), figura central da estratégia eleitoral da legenda no município.
A defesa do candidato alegou perante a Corte que Giovanni era amplamente reconhecido no ambiente da Câmara Municipal sob a alcunha de “Giovanni do Lucas Sanches”, fruto de uma estreita aliança e proximidade política com o chefe do Executivo local. No entanto, o colegiado considerou que a supressão do termo de ligação desvirtuava a real identidade do postulante, criando uma percepção enganosa perante o eleitorado.
Ao analisar o caso, a relatora do processo no TRE-SP, Maria Cláudia Bedotti, pontuou expressamente que a retirada da expressão “do Lucas” alterava de forma substancial o sentido da identificação. Segundo a magistrada, a formulação pretendida induziria o cidadão a acreditar, erroneamente, que Sanches seria seu verdadeiro sobrenome civil. Como alternativa legal, o tribunal autorizou a candidatura a ser registrada com o nome civil do político ou formalmente sob a designação “Giovanni do Lucas Sanches”.
O veto ao nome de urna soma-se a outro revés imposto pela fiscalização eleitoral à chapa. No domingo, 23, uma decisão liminar já havia ordenado a remoção imediata de bandeiras de campanha que estampavam a foto de Lucas Sanches ao lado do número eleitoral de Giovanni. Na avaliação da autoridade judicial, o material gráfico gerava confusão visual ao empregar recursos de computação que aproximavam as feições de ambos, sobrepondo indevidamente a imagem do prefeito à do candidato.
Giovanni Calderon figura como uma das apostas centrais do PL na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), sustentado pelo capital político e pela máquina de apoio em Guarulhos, que desponta como um dos colégios eleitorais mais estratégicos e populosos do Estado. A atuação dos órgãos reguladores busca traçar fronteiras rígidas para evitar que a simbiose de imagem extrapole a lisura das informações prestadas ao eleitor.
O que esta em jogo: a decisão judicial reafirma a primazia da transparência no processo democrático ao coibir artifícios que possam induzir o cidadão a erro no momento do voto. Para o eleitorado, preservar a clareza sobre quem realmente é o candidato — diferenciando o apadrinhamento político de uma inexistente filiação familiar — resguarda a integridade da representação popular e exige das campanhas um compromisso ético com a verdade factual na disputa pelo poder.
Com informacoes de revistaoeste.com.