Peça de comunicação do órgão de controle federal sobre a fiscalização do sistema eleitoral causou repercussão ao mostrar digitação do número partidário do PT.

Uma publicação institucional da Controladoria-Geral da União (CGU) em sua conta oficial no Instagram gerou controvérsia ao exibir uma cena em que uma pessoa digita o número 13 em uma urna eletrônica. O material, que tem quase dois minutos de duração, foi produzido com a finalidade de detalhar a atuação do órgão no processo de fiscalização e inspeção dos códigos-fonte dos equipamentos de votação utilizados no sistema eleitoral brasileiro.
No decorrer da gravação, as imagens focam no teclado do equipamento no exato instante em que dois números são acionados. O primeiro botão pressionado é o número “1”. Na sequência, embora o visor não seja inteiramente destacado, a gravação mostra o dedo sendo direcionado à tecla posicionada à direita do número “2” — correspondente ao dígito “3” no layout padrão das urnas eletrônicas, no qual a tecla “4” inicia a linha inferior. A combinação forma o número 13, historicamente associado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e utilizado nas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Após a veiculação, a publicação no perfil oficial da CGU na rede social teve a seção de comentários bloqueada para interações do público. A peça publicitária de um órgão de fiscalização de Estado gerou discussões sobre a observância do princípio da impessoalidade na comunicação governamental, regra expressa na Constituição Federal que proíbe o uso de símbolos, nomes ou imagens que caracterizem promoção de agentes públicos ou partidos em canais estatais.
O comando da Controladoria-Geral da União está sob a responsabilidade de Vinícius Marques de Carvalho, que ocupa o cargo com status de ministro de Estado desde 1º de janeiro de 2023, por indicação de Lula. Carvalho tem histórico de atuação em gestões petistas anteriores: presidiu o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em 2012, período no qual se tornou pública sua filiação ao PT desde o ano 2000.
O que esta em jogo: A estrita neutralidade dos órgãos de controle e fiscalização do Estado é um dos pilares republicanos essenciais para a preservação da confiança nas instituições democráticas. Episódios que misturem a comunicação oficial com elementos associados à propaganda partidária colocam em discussão a necessária separação entre as funções do Estado e os interesses de governos de turno, especialmente em temas sensíveis como a integridade e a transparência do processo de votação.
Com informacoes de revistaoeste.com.