Investigação da Polícia Federal aponta que Fábio Luís Lula da Silva e a lobista Roberta Luchsinger discutiram viagem à Suíça e abertura de contas no exterior em meio a tratativas no governo.

Mensagens interceptadas e recuperadas pela Polícia Federal revelaram que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, demonstrou forte receio quanto aos custos e à repercussão de uma viagem que faria ao continente europeu ao lado da lobista Roberta Luchsinger. Os diálogos, datados de 18 de janeiro de 2024, indicam a preocupação do filho do presidente em levantar suspeitas sobre a origem dos recursos financeiros necessários para bancar o deslocamento e a estadia no exterior.
Nas conversas obtidas pelos investigadores, Lulinha foi explícito ao pontuar os riscos do roteiro planejado. “Roberta, a gente tá se arriscando… Não precisa… É só esperar uns poucos meses e podemos fazer isso sem medo de nada”, escreveu ele. Na sequência da troca de mensagens, o filho do mandatário argumentou que não possuía numerário suficiente para despender naquele momento específico e que qualquer gasto mais vultoso poderia obrigá-lo a prestar justificativas públicas ou financeiras sobre os valores.
De acordo com o inquérito conduzido pela Polícia Federal, o roteiro sob discussão incluía a Suíça, país onde Roberta Luchsinger pretendia prospectar e viabilizar a abertura de contas bancárias. O período das conversas coincide com tratativas envolvendo o grupo em torno de uma proposta comercial para a aquisição de insumos à base de canabidiol pelo governo federal, iniciativa que despertava o interesse direto do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido pela alcunha de “Careca do INSS”.
A linha investigativa da corporação aponta para a existência de uma sociedade informal estabelecida entre Lulinha, Roberta Luchsinger e o empresário Fernando Bittar. O objetivo central dessa articulação seria realizar a intermediação e interlocução com agentes estatais e órgãos da administração pública — entre eles o Ministério da Saúde e a Dataprev — para favorecer e patrocinar interesses de agentes privados. O material pericial no celular da lobista indica ainda que havia uma estratégia deliberada para preservar a imagem de Lulinha, acionando sua presença direta apenas em situações estritamente pontuais e necessárias.
As apurações detalham ainda movimentações financeiras expressivas destinadas a subsidiar as ações de lobby. A Polícia Federal identificou repasses de ao menos R$ 2,5 milhões efetuados pelo empresário Cléber Ribas em favor de Roberta Luchsinger entre março de 2024 e dezembro de 2025. Diante do quadro fático levantado, tanto Lulinha quanto a lobista permanecem formalmente sob o escrutínio dos investigadores federais por suspeitas que envolvem a prática dos crimes de corrupção e tráfico de influência na máquina pública.
O que esta em jogo: A revelação desses diálogos acende um sinal de alerta sobre a permeabilidade de gabinetes e estruturas estatais à atuação de intermediários com laços familiares diretos com o poder central. Sob a perspectiva da governança pública, da moralidade administrativa e do livre mercado, a utilização de conexões políticas para direcionar compras públicas fere a isonomia concorrencial, amplia a desconfiança nas instituições republicanas e resgata preocupações com práticas patrimonialistas na gestão dos recursos dos pagadores de impostos.
Com informacoes de revistaoeste.com.