Regime iraniano declara que bloqueará fluxo total de petróleo na região estratégica caso nações vizinhas colaborem com as sanções de Washington.

A tensão geopolítica no Oriente Médio atingiu novos patamares após o governo do Irã fazer uma advertência direta sobre o fechamento do Estreito de Ormuz. O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohsen Rezaei, declarou no sábado, 22, que o país impedirá completamente a circulação de combustíveis caso as nações vizinhas decidam colaborar com as recentes medidas de isolamento econômico implementadas pelo governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump.
A resposta enérgica de Teerã veio em tom de ultimato aos países da região. Em declarações reproduzidas pela mídia estatal iraniana, Rezaei foi enfático ao afirmar: “Se os países vizinhos do Irã cooperarem com os americanos na guerra econômica, nem uma gota de petróleo sairá pelo Estreito de Ormuz”. O dirigente acrescentou que qualquer nação que oferecer suporte ou assistência às ações de Washington será classificada e tratada como inimiga pelo regime iraniano.
O acirramento das tensões decorre de um novo pacote de sanções anunciado pela administração norte-americana, projetado para ser o mais duro já imposto contra Teerã. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, explicou que o objetivo central de Washington é estrangular as receitas petrolíferas do regime para elevar a pressão sobre a economia do país. Além de apertar o cerco econômico, Trump emitiu alertas direcionados a outros governos para que cessem imediatamente o apoio financeiro e logístico ao Irã, em meio ao contexto de confronto envolvendo os EUA, Israel e o regime dos aiatolás.
Considerado o ponto de estrangulamento marítimo mais estratégico do planeta para a energia global, o Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e já vinha operando com tráfego reduzido diante do conflito regional e das restrições de Teerã. O reflexo nas bolsas de mercadorias foi imediato: na sexta-feira, 21, a cotação do petróleo Brent encerrou a US$ 94,39 por barril (cerca de R$ 487), enquanto o barril de WTI fechou cotado a US$ 87,06 (aproximadamente R$ 449). Apesar da retórica dura, o Irã abriu uma exceção pontual na mesma sexta-feira ao liberar a passagem de navios-tanque iraquianos após tratativas diplomáticas com Bagdá.
O risco de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz não afeta apenas a precificação imediata do barril no mercado ocidental, mas coloca em xeque toda a cadeia logística de suprimentos energéticos para gigantes industriais da Ásia, tais como a China e o Japão, que dependem diretamente dessa artéria para sustentar suas matrizes produtivas. Uma escalada nesse corredor tende a desestabilizar as trocas comerciais globais e acelerar a inflação energética em escala internacional.
O que esta em jogo: A ofensiva liderada pelos Estados Unidos busca neutralizar a capacidade financeira de um regime hostil e patrocinador da instabilidade regional, ao mesmo tempo em que testa os limites de resistência da economia global. Se o bloqueio do Estreito de Ormuz for levado a cabo, a crise transcenderá o âmbito militar, gerando um choque de oferta de petróleo capaz de penalizar consumidores e empresas em todo o mundo livre, consolidando a defesa da segurança marítima como pilar essencial da estabilidade de mercado.
Com informacoes de revistaoeste.com.