Presidente da Corte Eleitoral lidera discussões sobre diretrizes de transparência e veto a deepfakes na propaganda eleitoral.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, conduziu nesta terça-feira, 18, uma reunião com os demais magistrados da Corte com o propósito de avaliar os impactos e os desafios jurídicos do uso de inteligência artificial (IA) nas campanhas eleitorais de 2026. O encontro focou na consolidação de parâmetros para a propaganda eleitoral, buscando preparar o tribunal para o julgamento de casos concretos que cheguem ao plenário.
A pauta tecnológica tem sido tratada como prioridade institucional por Nunes Marques desde que assumiu a presidência da Corte, em março deste ano. A preocupação central gira em torno da rapidez na evolução dessas ferramentas, especialmente os chamados deepfakes, que consistem na manipulação digital hiper-realista de voz ou imagem para simular declarações e atitudes nunca realizadas por candidatos ou figuras públicas.
Diferente de impor uma proibição irrestrita à tecnologia, o conjunto de regras aprovado pelo TSE exige transparência das campanhas perante o cidadão. Ficou estabelecido que qualquer peça de propaganda eleitoral — seja em formato de texto, imagem, vídeo ou áudio — que utilize conteúdo gerado ou substancialmente modificado por inteligência artificial deverá informar o eleitor de forma explícita, inclusive especificando qual ferramenta tecnológica foi empregada.
Além da obrigatoriedade do aviso aos eleitores, o tribunal formou maioria para autorizar a remoção célere de conteúdos fraudulentos classificados como deepfakes quando utilizados para favorecer ou atacar candidaturas. A intenção declarada da Justiça Eleitoral é coibir distorções no debate público e fraudes contra o discernimento do eleitor no momento do voto.
O que esta em jogo: A regulamentação da inteligência artificial nas eleições coloca em evidência a necessidade de preservar a integridade do processo democrático sem que medidas restritivas extrapolem para a censura prévia ou o cerceamento da liberdade de expressão. O grande desafio prático da Corte será distinguir sátiras, críticas políticas legítimas e o uso criativo da tecnologia de manobras deliberadas de fraude e difamação, garantindo que o eleitor tenha acesso à verdade sem a interferência excessiva do poder estatal sobre o livre fluxo de informações.
Com informacoes de revistaoeste.com.