Recurso federal indicado pelo deputado Ricardo Maia foi integralmente destinado pela Prefeitura de Ribeira do Pombal a estabelecimento comercial ligado a familiares.

A destinação de verbas públicas federais por meio do mecanismo conhecido como ’emenda Pix’ voltou ao centro das atenções com o caso envolvendo o deputado federal Ricardo Maia (MDB-BA). Um repasse no valor de R$ 396 mil, transferido pela União no encerramento de 2025 para a Prefeitura de Ribeira do Pombal, na Bahia, foi integralmente utilizado pela administração municipal para a aquisição de combustíveis no Posto Canabrava. O estabelecimento comercial pertence a Antonio Wendell Pereira de Souza, cunhado do parlamentar e pai do vereador João Vitor Maia (MDB), eleito em 2024 com o apoio político do deputado.
De acordo com a prestação de contas do município, o montante expressivo foi alocado para o abastecimento de maquinários pesados voltados à manutenção de estradas vicinais na região. A concentração da despesa em um negócio diretamente associado à família do congressista que patrocinou o envio da verba gerou questionamentos em relação ao cumprimento dos princípios de moralidade, impessoalidade e transparência na gestão do erário, pilares fundamentais da administração pública.
Em resposta aos questionamentos, a assessoria de Ricardo Maia assegurou que o parlamentar não exerceu qualquer interferência na escolha do fornecedor, afirmando que os procedimentos de contratação competem exclusivamente ao Executivo local. A Prefeitura de Ribeira do Pombal, por sua vez, declarou que o fornecimento de combustíveis ocorreu após regular processo licitatório. Contudo, o vínculo entre os atores envolvidos chama a atenção: o atual prefeito, Eriksson Santos Silva (MDB), é aliado de Maia, que já foi chefe do Executivo municipal entre 2013 e 2020. Além disso, a esposa do deputado, Lakcelma Costa da Silva, comanda atualmente a Secretaria Municipal de Saúde.
O fluxo de recursos via transferências especiais não cessou com a primeira operação. Ricardo Maia destinou uma nova emenda Pix no valor de R$ 992 mil para Ribeira do Pombal em 2026, montante também formalmente carimbado para a compra de combustíveis. O valor já foi liberado pelo governo federal, mas a documentação correspondente à respectiva aplicação e prestação de contas ainda não está disponível nos registros públicos.
O que esta em jogo: A flexibilidade das emendas Pix, criadas para agilizar repasses diretos a estados e municípios sem a necessidade de convênios prévios detalhados, segue sob forte escrutínio institucional por permitir zonas cinzentas de controle e governança. O caso ilustra o risco perene de aparelhamento local de recursos arrecadados de todos os contribuintes brasileiros, onde redes de alianças políticas e familiares acabam por se beneficiar de fluxos orçamentários diretos. A ausência de mecanismos rigorosos de fiscalização prévia enfraquece o livre mercado ao distorcer a concorrência e desafia a necessária sobriedade com o dinheiro público.
Com informacoes de revistaoeste.com.