Uma investigação aponta que o escritório da atual ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman, recebeu R$ 700 mil de uma empresa cujo proprietário formal se declarou 'laranja', em um negócio com indícios de lavagem de dinheiro e que movimentou quase R$ 1 bilhão.

A nomeação da ministra Verônica Sterman ao Superior Tribunal Militar (STM) pelo presidente Lula da Silva, em setembro de 2025, ganha novos contornos com a revelação de um empresário que afirma ter atuado como ‘laranja’ em uma transação de R$ 700 mil envolvendo o escritório de advocacia da magistrada. Ericsson de Azevedo, registrado como proprietário da empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia, declarou à Polícia Civil de São Paulo que vendeu seus dados por R$ 5 mil para a abertura da companhia e recebia R$ 1 mil a cada vez que precisava assinar documentos.
A ACX ITC, com capital social declarado superior a R$ 100 milhões, está sob investigação. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que a empresa movimentou impressionantes R$ 918,3 milhões, apresentando ‘fortes indícios de envolvimento com recursos oriundos do tráfico’, conforme as conclusões da Operação Saturno, da Polícia Civil paulista. Além disso, o grupo empresarial ao qual a ACX ITC estaria ligada, associado a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como ‘Careca do INSS’, é alvo de apurações da CPMI do INSS por movimentações que somam R$ 39 bilhões.
O pagamento de R$ 700 mil ao escritório de Verônica Sterman ocorreu em parcela única, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025. Naquele período, Sterman ainda exercia a advocacia, antes de assumir sua cadeira no STM. A ministra afirmou à imprensa que o montante se referia à elaboração de três pareceres jurídicos, buscando justificar a transação em meio às suspeitas que agora recaem sobre a origem do dinheiro.
A relevância deste caso reside na conexão entre uma alta autoridade do poder judiciário militar e uma rede empresarial sob forte escrutínio por atividades ilícitas. A nomeação para um cargo vitalício e de grande prestígio como o de ministra do STM exige transparência irrestrita sobre quaisquer transações financeiras prévias que possam levantar questionamentos. A revelação de um ‘laranja’ no centro da empresa pagadora acende um alerta sobre a integridade e a origem dos recursos envolvidos, bem como a necessidade de uma investigação aprofundada.
Este episódio ressalta a importância da vigilância sobre as finanças de empresas e indivíduos, especialmente aqueles com ligações com a administração pública ou em vias de assumir cargos de alto escalão. O escrutínio sobre a atuação da ACX ITC e de seu suposto ‘laranja’, Ericsson de Azevedo, combinado com a movimentação estratosférica de quase R$ 1 bilhão, mostra a profundidade da teia de interesses financeiros que as autoridades buscam desvendar, impactando diretamente a confiança nas instituições.
O que está em jogo: A controvérsia sobre os pagamentos e a atuação do escritório da ministra Verônica Sterman antes de sua nomeação por Lula levantam questões sobre a transparência em cargos públicos e a origem de recursos em transações com empresas sob investigação por lavagem de dinheiro, podendo gerar reflexos na sua credibilidade e no processo de nomeação de autoridades.
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