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Plano brasileiro para evitar tarifaço dos EUA inclui corte de impostos em 300 produtos

O governo brasileiro apresentou um plano aos Estados Unidos buscando evitar um tarifaço de 25% sobre produtos nacionais, incluindo proposta de redução de impostos em setores estratégicos e ampliando garantias em áreas investigadas.

Por Redação Ponto FixoPublicado 03/07/2026 às 07h03· 2 min de leitura
Plano brasileiro para evitar tarifaço dos EUA inclui corte de impostos em 300 produtos
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulou e apresentou aos Estados Unidos um plano de negociação detalhado, na tentativa de barrar a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A proposta foi discutida em reunião que contou com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.

Entre as estratégias apresentadas, destaca-se a potencial redução de tarifas de importação em cerca de 300 linhas de produtos. Essa medida abrangeria principalmente os setores de máquinas, equipamentos, tecnologia da informação e equipamentos hospitalares. É crucial ressaltar que a redução seria aplicada a todos os parceiros comerciais do Brasil, seguindo as diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC), e não de forma exclusiva aos Estados Unidos. Tal abordagem visa demonstrar boa-fé comercial e conformidade com as normas internacionais, enquanto busca apaziguar as preocupações norte-americanas.

Além da flexibilização tarifária, o Brasil propôs ampliar garantias em seis áreas que são foco da investigação dos EUA: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. O objetivo é evidenciar que as políticas brasileiras nessas áreas não criam distorções comerciais ou discriminam empresas americanas, buscando construir uma ponte de confiança e transparência nas relações bilaterais.

Contudo, alguns temas permanecem fora da mesa de negociação, evidenciando pontos de soberania e não-intervenção em assuntos internos. O Pix, sistema de pagamentos instantâneos, foi classificado como inegociável, assim como discussões relativas à política interna do Brasil, incluindo decisões do Supremo Tribunal Federal e temas ligados à família do ex-presidente Jair Bolsonaro. Esta postura visa delimitar as fronteiras da negociação, protegendo a autonomia nacional em áreas sensíveis.

A investigação americana é fundamentada na Seção 301 da legislação dos EUA, que permite apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país. Com a consulta pública aberta até 6 de julho e uma audiência pública marcada para o dia 7, a decisão final sobre a aplicação das sanções está prevista para 15 de julho. As próximas semanas serão decisivas para o futuro do comércio bilateral, com equipes técnicas dos dois países programadas para novos encontros.

O que está em jogo: A imposição de tarifas retaliatórias pode impactar significativamente a economia brasileira, encarecendo produtos exportados e potencialmente gerando uma crise comercial com um dos maiores parceiros do Brasil, enquanto o país busca demonstrar compromisso com a liberalização e regras de comércio internacional para evitar o isolamento.

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