Um grupo de páginas anônimas gastou mais de R$ 1 milhão em anúncios nas redes sociais, mirando políticos de direita como Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, enquanto promovia Fernando Haddad, do PT, levantando questões sobre a legislação eleitoral.

Um esquema coordenado de páginas anônimas despejou mais de R$ 1 milhão em anúncios pagos no Instagram e Facebook nos últimos 90 dias, focando em ataques a figuras da direita brasileira. O levantamento, divulgado por veículos como O Globo e Folha de S.Paulo, aponta que o dinheiro foi direcionado para denegrir o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao mesmo tempo em que promoveu Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo paulista.
As sete páginas identificadas no monitoramento das plataformas da Meta, embora possuam menos de 400 seguidores cada, conseguiram atingir milhões de usuários graças à compra massiva de tráfego pago. Entre as publicações, há associações de Flávio Bolsonaro a milícias e críticas a Tarcísio de Freitas como “traidor”. Em contraste, as postagens favoráveis a Haddad destacam propostas como o corte de impostos sobre medicamentos, criando um claro contraste na narrativa.
A tática, que levanta suspeitas de uma ação coordenada, incluiu o registro das páginas em blocos de datas nos meses de abril e junho, com o uso de links para sites falsos com conteúdo em espanhol. Os perfis clandestinos, que operavam sob nomes como Radar do Planalto, Dossier Brasil 24H, O Contra-Fluxo, Panorama Brasil, Olho no Erro, Contra a Maré e Lente Escura, pulverizaram os gastos em dezenas de propagandas de menor orçamento. Essa estratégia, segundo especialistas, visa não apenas maximizar a disseminação dos vídeos, mas também driblar os filtros automáticos de moderação da Meta para conteúdos políticos.
A atuação coordenada e anônima das páginas viola flagrantemente as regras da Justiça Eleitoral brasileira. A legislação é clara ao permitir o impulsionamento de conteúdo político apenas por partidos, federações ou candidatos devidamente identificados. Além disso, a lei proíbe o uso de ferramentas pagas para disseminar ataques contra adversários e veta o anonimato na internet em contextos eleitorais, buscando preservar a equidade e o equilíbrio da disputa democrática.
A omissão da autoria real dos anúncios e a natureza dos ataques direcionados a figuras políticas específicas, enquanto outras são beneficiadas, levantam sérias questões sobre a integridade do processo eleitoral e a transparência na comunicação digital. O gasto expressivo e a estratégia de camuflagem demonstram um esforço deliberado para influenciar a opinião pública de forma oculta, o que pode ter implicações significativas para a percepção dos eleitores e a confiança nas instituições democráticas.
O que está em jogo: A revelação desses gastos anônimos em anúncios políticos expõe a vulnerabilidade do ambiente digital a campanhas coordenadas de desinformação e ataques, desafiando a capacidade da Justiça Eleitoral de fiscalizar e garantir a transparência e a lisura das eleições, com o risco de minar a soberania do voto livre e consciente.
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