O prefeito de Surubim (PE), Cleber Chaparral, acusou o cantor Gusttavo Lima de 'ladrão' após o cancelamento de um show de São João, cobrando a devolução do cachê. Gusttavo Lima, por sua vez, alegou intoxicação alimentar para o cancelamento, afirmou ter devolvido o valor integral e acusou a equipe do evento de mantê-lo em 'cárcere privado'.

O cenário festivo do São João em Surubim, Pernambuco, transformou-se em palco para uma acalorada disputa entre o prefeito Cleber Chaparral (União Brasil) e o renomado cantor Gusttavo Lima. Em um discurso no último sábado, 27, o gestor municipal não poupou críticas ao artista, chamando-o de “ladrão” e cobrando publicamente a devolução do cachê de R$ 1,353 milhão referente a um show cancelado pela segunda vez.
A controvérsia ganhou intensidade após o cancelamento da apresentação que, inicialmente marcada para 18 de junho, havia sido reagendada para 27 de junho. Horas antes do cancelamento em Surubim, Gusttavo Lima se apresentou normalmente em Caruaru (PE), intensificando a indignação do prefeito. Chaparral, do palco, declarou: “É um ladrão de consciência, é um ladrão do dinheiro do povo. Gusttavo, para tu ser homem, pega logo e devolve o dinheiro da Prefeitura de Surubim. Tu não precisa de dinheiro da prefeitura, tu é rico.” Ele ainda ameaçou reter os equipamentos do artista na cidade até que uma retratação pública fosse feita.
Em sua defesa, Gusttavo Lima utilizou as redes sociais para explicar o cancelamento, atribuindo-o a uma severa intoxicação alimentar, descrita com humor como “caganeira mesmo”. O cantor pediu desculpas ao público de Surubim e fez uma revelação surpreendente, afirmando que já havia devolvido integralmente o cachê contratado ao município. Além disso, o sertanejo acusou integrantes do evento de terem mantido seus músicos e equipe em “cárcere privado” durante o impasse gerado pelo cancelamento da performance.
O incidente em Surubim lança luz sobre os desafios contratuais e as pressões enfrentadas por artistas e municípios na organização de grandes eventos, especialmente em festas populares como o São João, que movimentam vultosas somas de dinheiro público e privado. A postura enérgica do prefeito reflete a frustração da população e a expectativa de transparência na gestão de recursos. Por outro lado, a versão do cantor revela a complexidade dos bastidores de shows e os possíveis abusos em momentos de crise, como uma emergência de saúde.
Este episódio transcende a esfera do entretenimento, levantando questões sobre responsabilidade contratual, comunicação de crise e a forma como verbas públicas são aplicadas em eventos culturais. A acusação de “cárcere privado” por parte do cantor adiciona uma camada de gravidade ao caso, potencialmente desdobrando-se em ações legais e exigindo uma investigação mais aprofundada dos fatos por parte das autoridades competentes, à medida que a integridade de ambas as partes é posta à prova.
O que está em jogo: A controvérsia entre o prefeito de Surubim e Gusttavo Lima coloca em foco a gestão de fundos públicos em eventos culturais, a responsabilidade contratual de artistas e as implicações legais de acusações de má conduta, podendo influenciar futuras relações entre poder público e setor artístico no Brasil.
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