O candidato de esquerda Roberto Sánchez liderou protestos em Lima, questionando o resultado das eleições presidenciais peruanas que indicam vitória de Keiko Fujimori, prometendo recorrer a organismos internacionais.

A polarização política no Peru atinge um novo patamar com a recusa do candidato de esquerda Roberto Sánchez em reconhecer a vitória da candidata de direita Keiko Fujimori nas eleições presidenciais. Sánchez liderou, neste sábado, 27, uma manifestação em Lima, alegando irregularidades no pleito, mas sem apresentar provas concretas que justifiquem as acusações de fraude. A Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) já declarou a vitória de Keiko como irreversível, com uma margem de pouco mais de 49 mil votos, o que representa 50,13% contra 49,86% de Sánchez, com 99,97% das urnas apuradas.
Os protestos, convocados pelo partido Juntos pelo Peru sob o lema “defesa do voto popular”, culminaram em uma caminhada pelo centro da capital, onde manifestantes entoavam “o voto não se vende, o voto se defende”. Sánchez discursou da sacada de um prédio, reiterando a exigência por transparência e a intenção de buscar apoio de instâncias internacionais para contestar o resultado. Esta é a segunda mobilização desde a divulgação dos resultados preliminares do segundo turno, realizado em 7 de junho, e o candidato já havia declarado que não reconhecerá um eventual governo de Keiko Fujimori.
A alegação de fraude nos votos de peruanos no exterior, também sem comprovação, é uma das principais bandeiras levantadas pela campanha de Sánchez. Este cenário de contestação prolonga a incerteza política em um país que já enfrenta um período de grande instabilidade. Desde 2016, o Peru teve oito presidentes, refletindo uma fragilidade institucional e uma conturbada sucessão de governos.
As eleições colocaram frente a frente Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), e Roberto Sánchez, considerado herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, atualmente preso após uma tentativa frustrada de autogolpe em 2022. Essa dicotomia ideológica e os históricos familiares de ambos os candidatos adicionam camadas de complexidade à disputa, resgatando antigas divisões e paixões políticas na nação andina.
A postura de Sánchez e seu partido em não reconhecer os resultados da ONPE e a promessa de recorrer a organismos internacionais sinalizam que a transição de poder no Peru pode não ocorrer de forma pacífica e consensual. A estabilidade democrática do país será testada à medida que as instituições buscam garantir a validade do processo eleitoral e a legitimidade do futuro governo, que tem posse marcada para 28 de julho.
O que esta em jogo: A recusa do candidato derrotado em aceitar o resultado eleitoral e a promessa de judicialização internacional ameaçam a estabilidade democrática do Peru e a legitimação do novo governo.
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