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Vice do PT expõe crise após derrota de Benedita

Washington Quaquá criticou o isolamento de Benedita da Silva no Rio de Janeiro após o PL conquistar as duas vagas ao Senado.

Por Redação Ponto FixoPublicado 06/10/2026 às 11h02· 3 min de leitura
Vice do PT expõe crise após derrota de Benedita
Foto: Gabriela Korossy

O resultado das urnas no Rio de Janeiro abriu uma crise explícita dentro da cúpula do Partido dos Trabalhadores. Após a confirmação da derrota da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) na disputa pelo Senado Federal, o vice-presidente nacional da sigla e prefeito de Maricá, Washington “Quaquá”, veio a público classificar o revés como um resultado previsível e fruto do isolamento político adotado pela própria legenda no estado.

No pleito realizado no domingo 4 de outubro de 2026, com duas cadeiras em disputa para a Câmara Alta, os eleitores fluminenses optaram em peso pela chapa conservadora. Os candidatos do Partido Liberal (PL), Carlos Portinho e Carlos Jordy, foram eleitos com 26,77% (4,2 milhões de votos) e 24,56% (3,9 milhões de votos), respectivamente. Benedita da Silva amargou a terceira colocação, somando 20,22% dos votos válidos (3,2 milhões), ficando fora do Congresso Nacional e a mais de 700 mil votos de distância da segunda vaga.

Falta de alianças e isolamento à esquerda

Em declarações contundentes concedidas ao portal Metrópoles, Quaquá apontou que a estratégia petista errou ao priorizar a pureza ideológica em detrimento da composição com setores moderados. “A Benedita resolveu fazer uma campanha só de esquerda, só para a esquerda, com suplências dela sem abrir e sem ampliar. O PT está desaprendendo que a gente só ganha eleições e governa o país em uma aliança sólida com o centro. A derrota, na minha opinião, era óbvia”, disparou o dirigente partidário.

O prefeito de Maricá destacou que a composição da chapa foi determinante para o fracasso eleitoral. Benedita registrou como primeiro suplente Manoel Severino e escolheu o cantor e pastor Kleber Lucas para a segunda suplência. Na avaliação de Quaquá, a primeira vaga de suplente deveria ter sido cedida a Luciano Vieira, do PSDB, o que poderia ter atraído eleitores do centro e modificado o desfecho da disputa. “Era uma eleição que poderia ser ganha, mas, por erros da condução da campanha dela, que resolveu colocar um assessor de primeiro suplente, ela perdeu”, afirmou.

Disputa interna pelo futuro das coligações

A derrota no Rio evidencia o avanço das candidaturas conservadoras no estado, que garantiram 100% das vagas abertas ao Senado nesta rodada eleitoral, enquanto a esquerda perdeu representatividade na bancada fluminense. Quaquá reforçou que a sobrevivência eleitoral do PT depende de um pragmatismo que muitos correligionários relutam em aceitar. “A grande vocação da esquerda é comandar um bloco que leve o centro junto. Por isso, ela foi derrotada”, resumiu o vice-presidente.

Apesar das críticas públicas, ainda não se sabe até que ponto a cúpula nacional do PT acolherá essa revisão tática nos próximos pleitos ou se a ala mais ortodoxa do partido manterá a preferência por chapas puras. O episódio expõe a fratura interna sobre a governabilidade e a formação de maiorias legislativas diante do crescimento do eleitorado conservador.

O que está em jogo: o diretório nacional do PT terá de decidir nos próximos balanços eleitorais se acolhe a tese de pragmatismo de Washington Quaquá ou se mantém o isolamento ideológico nas disputas majoritárias, enquanto o PL consolida sua hegemonia no Rio de Janeiro ao empossar Carlos Portinho e Carlos Jordy no Senado Federal.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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