Partido Novo sela aliança com Flávio Bolsonaro no segundo turno, expande força no Congresso e busca frear retorno da esquerda ao poder.

A consolidação das forças do campo liberal e conservador ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 7, com a decisão formal do partido Novo de apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa do segundo turno pela Presidência da República. A manifestação pública foi liderada pelo presidente nacional da sigla, Eduardo Ribeiro, após uma reunião da cúpula partidária em Brasília com o candidato do PL. O movimento busca impedir o retorno do Partido dos Trabalhadores ao Planalto, apostando na coesão da direita para preservar pautas de responsabilidade fiscal, desregulamentação e liberdade individual. Ribeiro enfatizou a gravidade do pleito: “O momento exige união total em torno da candidatura do Flávio”, declarou, completando que “precisamos derrotar o PT”.
O posicionamento não ocorreu no vácuo e reflete uma trajetória de reposicionamento estratégico do Novo. No primeiro turno, a legenda lançou Romeu Zema, que declarou suporte a Flávio Bolsonaro logo no dia anterior, abrindo caminho para o alinhamento institucional do partido. Ao admitir a possibilidade de integrar um eventual governo encabeçado por Flávio — contanto que haja interesse do candidato —, o Novo chancela uma mudança de postura em relação aos seus primeiros anos de fundação. Ribeiro garantiu que não houve barganha por cargos ministeriais nas negociações, mas ressaltou que a agremiação superou a antiga resistência dogmática em participar de gestões chefiadas por outras siglas, entendendo que a influência prática em políticas públicas liberais é essencial para o país.
Crescimento legislativo e foco em reformas
Nas urnas, a legenda obteve uma vitória expressiva de representatividade, saltando de cinco para dez deputados federais — dobrando de tamanho na Câmara dos Deputados —, além de ter elegido três senadores. Essa bancada expandida terá peso proporcional estratégico nos debates de matérias econômicas e constitucionais. Em termos comparativos, dobrar de tamanho confere à sigla poder de barganha decisivo na formação de maiorias e comissões especiais, onde quóruns qualificados são indispensáveis para frear o avanço de tributações e aprovar medidas que reduzam o peso do Estado sobre a iniciativa privada e as famílias brasileiras. Ribeiro pontuou que o contingente será vital para viabilizar emendas à Constituição voltadas à contenção de gastos públicos.
Em termos de ganhadores e perdedores no tabuleiro político, a aproximação amplia a base de capilaridade programática de Flávio, blindando-o com o aval técnico e reformista que o Novo carrega perante a classe produtiva e investidores, enquanto isola a candidatura petista nos setores de centro-direita. Por outro lado, a esquerda perde tração na narrativa de isolamento bolsonarista. Contudo, ainda não se sabe qual seria a pasta eventualmente assumida pelo partido em um cenário de vitória, nem o grau exato de adesão de bases eleitorais dissidentes que defendiam manter distância total da família Bolsonaro, um ponto que a direção partidária terá de monitorar no decorrer das semanas que restam até o pleito.
Interiorização e expansão fora do eixo tradicional
Outro marco destacado pela liderança partidária foi o avanço territorial da sigla, que rompeu com a histórica dependência de eleitores no Sul e no Sudeste. Um exemplo emblemático foi a eleição de Lahezio Bonfim para o Senado pelo Maranhão, ex-prefeito de São Pedro dos Crentes que abriu mão da disputa estadual em 2022 para construir aliança com Eduardo Braide. O Novo também garantiu cadeira na Câmara Federal por Pernambuco e representantes nas assembleias do Acre e de Rondônia. O dirigente associou o desempenho à comunicação com o agronegócio e ao vácuo aberto por divisões na esquerda regional, provando que o discurso de mérito, fé e liberdade de mercado encontra ressonância no interior brasileiro.
O que está em jogo: A formalização dessa aliança altera o cálculo de articulação para o segundo turno e define a correlação de forças na Câmara dos Deputados, onde a bancada de dez deputados do Novo e três senadores terá peso direto nas votações de reformas estruturais a partir de 2027; resta observar como as lideranças regionais de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema coordenarão palanques conjuntos em Minas Gerais e no Nordeste para conter o avanço petista nas semanas decisivas da eleição.
Com informacoes de revistaoeste.com.