Deputado federal Kim Kataguiri promete renunciar se Renan Santos mantiver apenas 3% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial.

Na reta final da disputa eleitoral, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) adotou uma postura de confronto direto contra os principais levantamentos de intenção de voto do país. Em ato público de encerramento da campanha presidencial de Renan Santos (Missão), realizado em São Paulo, o parlamentar prometeu renunciar ao seu mandato na Câmara dos Deputados caso o aliado obtenha exatamente o patamar apontado pelas pesquisas divulgadas na véspera da votação.
A reação inflamada de Kataguiri ocorreu logo após as divulgações dos institutos Datafolha e Quaest no sábado, 3 de outubro. Segundo o parlamentar, o cenário traçado não refletiria a mobilização das ruas. Durante o discurso que marcou o fim da caminhada partidária da Praça da Liberdade até o Largo São Francisco, no centro histórico paulistano, ele declarou abertamente: “Eu já vou começar a fazer um desafio para o Datafolha e para a Quaest. Se domingo a gente tiver 3% no Datafolha, eu renuncio o meu mandato na frente da Folha”.
O cenário polarizado e os números das pesquisas
Os números que motivaram a aposta do deputado revelam um quadro amplamente polarizado na liderança da corrida ao Planalto. No levantamento do Datafolha sobre votos válidos, o presidente Lula (PT) pontuou 45%, seguido de perto por Flávio Bolsonaro (PL), com 42%. Ronaldo Caiado (PSD) alcançou 4%, enquanto Renan Santos e Augusto Cury (Avante) registraram 3% cada um. O instituto Quaest trouxe uma configuração quase idêntica: Lula com 46%, Flávio Bolsonaro com 45%, e o trio formado por Cury, Caiado e Renan empatado com 3% cada, ambos com margem de erro de dois pontos porcentuais.
Em termos de proporção, os 3% atribuídos ao candidato do partido Missão colocam sua representatividade em uma faixa marginal em relação à soma dos dois ponteiros, que concentram quase 90% das intenções de votos válidos nos dois levantamentos. A aposta de alto risco de Kataguiri tenta energizar a base da nova legenda e contestar a tese do voto útil que esvazia candidaturas menores na reta final, embora arrisque diretamente a perda de uma das principais cadeiras do grupo no Congresso Nacional.
Próximos passos e incertezas da promessa
Com a abertura das urnas marcada para este domingo, 4 de outubro, a apuração oficial do Tribunal Superior Eleitoral definirá o desfecho da provocação. Resta saber, no entanto, qual seria o procedimento prático adotado pelo parlamentar caso o percentual de Renan Santos de fato se confirme na faixa dos 3% cravada pelos institutos, uma vez que a renúncia parlamentar exige formalização perante a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.
O que está em jogo: a confirmação dos 3% de votos de Renan Santos (Missão) colocará à prova o mandato de deputado federal de Kim Kataguiri em Brasília, cabendo observar a oficialização ou não do pedido formal de renúncia na Câmara caso o resultado do primeiro turno confirme as projeções do Datafolha e da Quaest.
Com informacoes de revistaoeste.com.