Quatro meses após a morte do aiatolá Ali Khamenei em um ataque americano, o regime iraniano prepara um funeral grandioso, buscando projetar força e continuidade em meio a especulações sobre a sucessão e o real estado do corpo do líder.

O Irã se prepara para o funeral do líder supremo Ali Khamenei, agendado para o próximo dia 9 em Teerã, mais de quatro meses após sua morte. A cerimônia, que contará com a mobilização da milícia Basij e da Guarda Revolucionária em um amplo esquema de segurança, é vista como uma tentativa do regime de demonstrar unidade e força política tanto interna quanto externamente, em um momento de incertezas e tensões regionais.
Khamenei, que liderou a República Islâmica por 36 anos, faleceu em 28 de fevereiro durante a Operação Epic Fury, um ataque direcionado dos Estados Unidos contra seu complexo em Teerã. O adiamento de seu sepultamento é incomum, dada a tradição islâmica de enterros rápidos e a proibição de embalsamamento químico. No entanto, especialistas, como Omar Mohammed, em contraterrorismo, indicam que a preservação do corpo foi feita por refrigeração, uma prática que a lei xiita permite em casos excepcionais e com autorização clerical, compatível com os padrões religiosos e legais iranianos.
As condições do corpo de Khamenei, contudo, levantam dúvidas. Omar Mohammed sugere que, devido à natureza do ataque com munição perfurante de bunker, “pode não haver muito corpo para ser apresentado”. Essa observação adiciona uma camada de complexidade à narrativa oficial do regime e à grandiosidade que busca impor ao evento, especialmente considerando que outras vítimas do mesmo ataque foram identificadas apenas por DNA semanas depois.
O regime iraniano planeja velórios públicos em Teerã no sábado e domingo, seguidos por um cortejo na segunda-feira, 6, com estimativas oficiais de 15 a 20 milhões de participantes. Outra procissão está programada para Qom, um dos centros religiosos xiitas mais importantes. Yaqoub Soleimani, organizador do funeral, declarou que a cerimônia será realizada “com toda a grandiosidade”, visando transformar o evento em uma “epopeia nacional” e “ocasião histórica”.
Apesar dos números impressionantes divulgados pelas autoridades iranianas, há quem veja neles um forte componente político. Mohammed afirma que “os números que o regime está divulgando […] não são logística. Eles são a mensagem”, indicando que o esforço visa projetar continuidade e força. O atraso do funeral, a pompa planejada e a insistência em números de participação estratosféricos parecem ser movimentos calculados para consolidar a imagem de um Irã estável e unido, em um momento de transição e escrutínio internacional.
O que está em jogo: O funeral de Ali Khamenei é mais do que uma cerimônia fúnebre; é um palco político crucial para o regime iraniano reafirmar seu poder e unidade, especialmente frente à comunidade internacional e às especulações sobre a sucessão de um dos mais influentes líderes da República Islâmica.
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