Victor Henrique de Oliveira Shimada, empresário alvo de sanções dos EUA e investigado no Brasil, já previa o alcance internacional das investigações sobre lavagem de dinheiro e sua ligação com o PCC.

A teia de investigações que envolve o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada ganhou uma nova camada de complexidade e alcance internacional. Documentos da Polícia Federal (PF) revelam que o próprio Shimada, alvo de recentes sanções do governo dos Estados Unidos, já antecipava a atuação do FBI na apuração de uma fraude milionária contra o Banco Votorantim e em outras operações suspeitas de lavagem de dinheiro, muitas delas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em áudios interceptados, datados de 20 de agosto de 2024 – apenas oito dias após o desvio de mais de R$ 35 milhões do Banco Votorantim, valor que sua empresa, a Victory Trading, teria convertido em criptomoedas –, Shimada expressou preocupação com o rastreamento das transações. “É, mano, esse papo vai dar FBI, mano. Você entendeu? Não é brincadeira. Os caras estão investigando pesado”, afirmou, indicando que a investigação já havia transposto as fronteiras brasileiras.
A previsão de Shimada materializou-se no dia 1º, quando o empresário foi incluído na lista de sanções dos EUA, acusado de ser um “elo-chave” em uma sofisticada rede internacional de lavagem de dinheiro. As autoridades norte-americanas estimam que Shimada teria movimentado mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) para o PCC, evidenciando a profundidade e o alcance global das operações da facção criminosa e de seus operadores financeiros.
Além da fraude contra o Votorantim, Shimada também é investigado em São Paulo por sua atuação como operador financeiro em um esquema de lavagem de dinheiro que envolve o patrocínio do Corinthians pela casa de apostas VaideBet. A análise de seus equipamentos apreendidos revelou um conhecimento detalhado das operações com criptoativos, discussões sobre bloqueios, transferências internacionais e as ramificações de suas movimentações financeiras, inclusive através de corretoras como a mexicana Bitso e operações em dólares nos Estados Unidos.
A preocupação do empresário com o vínculo de seu nome às operações era evidente. “E outra, foi no meu nome isso, mano. Por isso que eu tô desesperado”, declarou, confessando ter se deslocado à Colômbia na tentativa de solucionar questões relacionadas a contas e ordens financeiras bloqueadas. Este panorama revela a audácia dos esquemas criminosos e a crescente sofisticação das ferramentas de rastreamento por parte das agências de segurança internacionais, que agora convergem para desmantelar essas redes.
O que está em jogo: A inclusão de Shimada nas sanções dos EUA e as investigações em curso sublinham a crescente colaboração internacional contra o crime organizado e a lavagem de dinheiro, com implicações significativas para a rede financeira do PCC e a segurança regional.
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