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Mais de 180 parlamentares perdem mandato nas urnas

Eleições provocam forte renovação no Congresso, derrubam nomes tradicionais da esquerda e consolidam avanço da bancada conservadora.

Por Redação Ponto FixoPublicado 06/10/2026 às 22h02· 3 min de leitura
Mais de 180 parlamentares perdem mandato nas urnas
Foto: Ton Molina/Agência Senado

As urnas do primeiro turno eleitoral impuseram uma severa reconfiguração de forças no Congresso Nacional, resultando na perda de mandato de 168 deputados federais e 21 senadores que estavam em pleno exercício de suas funções. O movimento, baseado em levantamento feito a partir de dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, atinge diretamente figuras históricas e articuladores centrais da política tradicional brasileira.

Para colocar a dimensão das perdas em perspectiva, a não renovação atingiu cerca de 26% de todos os 513 parlamentares da Câmara que tentavam permanecer em suas cadeiras, sem contar aqueles que se arriscaram em disputas para o Senado, governos de Estado ou assembleias estaduais. No Senado, a dinâmica de rotação também desbancou figuras influentes que pareciam consolidadas, demonstrando uma clara insatisfação do eleitorado com o establishment político.

Queda de caciques e governistas no Senado

O impacto mais expressivo foi sentido por nomes do alto escalão do governismo. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT), terminou sua corrida no Amapá apenas em terceiro lugar. No Piauí, Ciro Nogueira (PP) também amargou a terceira colocação, enquanto Renan Calheiros (MDB) encerrou uma trajetória de 22 anos contínuos no Senado após ser rejeitado nas urnas de Alagoas. A onda de derrotas alcançou também ex-ministros da gestão Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Gleisi Hoffmann (PT), Celso Sabino (PDT) e Paulo Pimenta (PT).

Por outro lado, o avanço conservador emergiu como o principal vitorioso do pleito, consolidando a maior fatia do Parlamento. O Partido Liberal (PL), alinhado a Jair Bolsonaro e à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, garantiu sozinho 121 cadeiras na Câmara dos Deputados. Esse crescimento expressivo da direita ocorreu em detrimento não apenas da esquerda governista, mas também de siglas tradicionais do chamado Centrão, que viram suas bancadas encolherem significativamente diante da nova preferência popular.

Novo equilíbrio de forças em Brasília

O que a apuração ainda deixa em aberto é o nível exato de governabilidade e as composições que os novos parlamentares eleitos adotarão na votação de pautas econômicas e institucionais. Da mesma forma, resta aguardar a transição dos gabinetes até a posse definitiva, período no qual projetos de lei em tramitação podem sofrer alterações drásticas sob a atuação de legisladores em fim de mandato.

O que está em jogo: a reorganização do Congresso Nacional impõe uma expressiva redução de poder da base de sustentação do governo Lula e enfraquece nomes históricos como Renan Calheiros e Gleisi Hoffmann. Na prática, a ampliação da bancada do Partido Liberal para 121 deputados federais dará à oposição conservadora controle decisivo sobre pautas econômicas e comissões temáticas a partir do início da nova legislatura.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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