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Família Sarney fica sem mandato após 72 anos de poder

Derrota de Roseana Sarney na disputa ao Senado encerra mais de sete décadas de mandatos eletivos da família maranhense.

Por Redação Ponto FixoPublicado 06/10/2026 às 21h02· 3 min de leitura
Família Sarney fica sem mandato após 72 anos de poder
Foto: Agência Brasil

Pela primeira vez em mais de sete décadas, a tradicional dinastia dos Sarney não contará com nenhum representante exercendo mandato eletivo no cenário político brasileiro a partir de 2027. O desfecho histórico foi selado após a apuração das eleições de 2026 para o Senado pelo Maranhão, na qual a deputada federal e ex-governadora Roseana Sarney (MDB) não conseguiu uma das duas vagas disponíveis, obtendo 16,37% dos votos e terminando na terceira colocação na disputa estadual.

As duas cadeiras de senador pelo Maranhão foram conquistadas por André Fufuca (PP), que liderou o pleito com 21,43% dos votos válidos, e Lahesio Bonfim (Novo), que alcançou 20,65%. A soma do desempenho eleitoral dos dois vencedores ultrapassou 42% dos votos totais do estado, superando com folga o capital eleitoral mobilizado pela ex-governadora. Roseana era a única representante do clã a disputar cargo nas urnas no pleito de 2026, culminando no encerramento de um ciclo contínuo de representatividade legislativa e executiva.

Ascensão e hegemonia de três gerações

A presença da família nas esferas de poder teve início ainda em 1954, quando o patriarca José Sarney foi eleito suplente de deputado federal. Ao longo de 72 anos de história, Sarney alcançou o governo do Maranhão em 1966, a Presidência da República na redemocratização e presidiu o Senado em múltiplos períodos até sua aposentadoria parlamentar em 2015, estando hoje com 96 anos. Seus filhos deram continuidade à hegemonia: Sarney Filho acumulou oito mandatos como deputado federal, enquanto Roseana consolidou-se como principal herdeira política ao governar o estado por quatro ocasiões distintas.

A perda de espaço político do grupo vinha dando sinais concretos desde 2006, quando Roseana foi derrotada nas urnas por Jackson Lago (PDT), encerrando quatro décadas de controle direto sobre o Palácio dos Leões. Embora tenha retornado ao comando do Executivo estadual em 2009 — após a cassação de Lago pela Justiça Eleitoral — e vencido a reeleição em 2010, o clã enfrentou gradual retração eleitoral. Na terceira geração familiar, o neto Adriano Sarney chegou a cumprir dois mandatos como deputado estadual, mas optou por não disputar as eleições em 2026, acelerando a perda de postos eletivos.

O novo tabuleiro partidário maranhense

Com o término oficial do atual mandato de deputada federal de Roseana em janeiro de 2027, o Maranhão experimenta uma reconfiguração definitiva de forças sem a tutela do emedebismo tradicional. De um lado, partidos como PP e Novo ganham tração institucional no Senado; de outro, resta incerto se a linhagem política buscará reorganização em disputas municipais futuras ou se optará pelo afastamento definitivo da vida pública, uma vez que nenhuma liderança jovem da família manifestou planos públicos para novos pleitos.

O que está em jogo: A partir de janeiro de 2027, o Maranhão conclui a transição de um domínio político de 72 anos, transferindo a representação no Senado para André Fufuca e Lahesio Bonfim, restando acompanhar se o grupo do MDB maranhense conseguirá articular novas candidaturas para o ciclo eleitoral municipal seguinte.

Com informacoes de revistaoeste.com.

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