Deputada cobra explicações formais da PF sobre viagem a Londres ligada ao Banco Master e a remoção de delegado no caso INSS.

A fiscalização parlamentar sobre os órgãos de investigação ganhou novos contornos formais na Câmara dos Deputados. A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) protocolou requerimentos cobrando explicações detalhadas do Ministério da Justiça e Segurança Pública acerca da conduta da cúpula da Polícia Federal. As cobranças se concentram em dois eixos sensíveis: a ida do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, a um evento internacional patrocinado pelo Banco Master e a súbita substituição do delegado responsável por conduzir apurações sobre descontos indevidos contra aposentados e pensionistas do INSS.
Viagem a Londres sob questionamento
O primeiro ponto de atrito envolve a participação de autoridades da PF e do Ministério da Justiça no Fórum Jurídico Brasil de Ideias, promovido pelo Grupo Voto em Londres entre 24 e 26 de abril de 2024. O evento contou com patrocínio do Banco Master, instituição financeira ligada ao empresário Daniel Vorcaro. Documentos prévios liberados pelo Executivo atestaram que a viagem de Andrei Rodrigues ocorreu entre 23 e 28 de abril sob a modalidade de “ônus limitado”, na qual a União não arcou com o pagamento de diárias. Contudo, a parlamentar aponta que restou sem resposta a origem exata do custeio de hospedagem, transporte e alimentação dos agentes públicos.
Para a oposição, a ausência de transparência sobre o financiamento privado de deslocamentos internacionais de autoridades policiais fere preceitos básicos de integridade institucional. O novo requerimento questiona nominalmente se o Ministério da Justiça e a PF possuíam ciência prévia sobre os patrocinadores do evento e se existiram encontros ou tratativas adicionais entre Rodrigues, Vorcaro ou intermediários após a viagem, sobretudo após a instauração de procedimentos investigatórios envolvendo o banco. A deputada sustentou que um dirigente da corporação não pode ter despesas financiadas por pessoas ou entidades sob escrutínio policial.
Afastamento na Operação Sem Desconto
A segunda ofensiva mira a condução interna da Operação Sem Desconto, mobilizada para reprimir fraudes sistêmicas que atingem proventos da Previdência Social. Ao solicitar justificativas para o afastamento do delegado que presidia os inquéritos, a Câmara recebeu apenas a reprodução de uma resposta anterior genérica, catalogada como o Ofício nº 243/2026 e originalmente direcionada ao então deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). Na ocasião, a PF limitou-se a classificar a troca de comando operacional como uma “reorganização administrativa”, deixando de responder a 9 das 12 perguntas formuladas individualmente e sem juntar portarias aos autos.
Diante do que classificou como respostas evasivas, o novo pedido exige a entrega dos atos formais, como despachos ou ordens de serviço, a data precisa da deliberação e a identificação das autoridades signatárias. A cobrança também busca esclarecer se houve interferência ou comunicação de instâncias políticas, como a Presidência da República, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ou o próprio Ministério da Justiça, além de perquirir se o Supremo Tribunal Federal foi formalmente notificado da substituição e qual foi o impacto imediato no calendário de diligências do caso.
O que está em jogo: A cobrança formal expõe o Ministério da Justiça ao dever legal de apresentar a cadeia de custódia das decisões administrativas da PF, forçando a corporação a detalhar as fontes financeiras da viagem a Londres de Andrei Rodrigues e a justificar documentalmente a troca de delegado na Operação Sem Desconto. O próximo passo depende do prazo de resposta do ministro da pasta à Mesa Diretora da Câmara, que determinará se os esclarecimentos sanam as omissões ou abrem margem para convocações de dirigentes e novas medidas de controle legislativo.
Com informacoes de revistaoeste.com.