Operação da PCDF atinge a plataforma clandestina Mind-7, que vendia registros vazados para a aplicação de fraudes em vários estados.

A segurança da informação e a proteção da privacidade do cidadão comum sofreram sucessivos abalos nos últimos anos devido a brechas em sistemas institucionais. Nesse cenário de vulnerabilidade digital, a Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Perseu 7, com foco em desmantelar uma estrutura criminosa que transformou o comércio ilícito de dados pessoais em um negócio altamente rentável. O alvo principal da ofensiva foi a plataforma clandestina batizada de Mind-7, que comercializava o acesso a bancos de registros confidenciais obtidos de maneira fraudulenta.
A ofensiva mobilizou um efetivo de mais de 80 policiais para o cumprimento de 13 mandados de prisão temporária, além de medidas de busca e apreensão. As ordens judiciais foram executadas de forma coordenada em seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Espírito Santo e Pernambuco. Além de determinar a retirada imediata do site do ar, a Justiça autorizou o bloqueio patrimonial de até R$ 7 milhões, abrangendo bens físicos, valores em contas bancárias e ativos em criptomoedas.
Esquema milionário e golpes direcionados
As apurações policiais revelaram que o serviço funcionava por meio de assinaturas periódicas. Os usuários pagavam mensalidades para realizar buscas a partir de números de CPF ou CNPJ, tendo acesso a um dossiê detalhado das vítimas. O acervo continha centenas de milhões de registros com nomes completos, filiação, endereços residenciais, documentos e históricos de vínculos empregatícios e processos judiciais. Esse volume massivo de informações era extraído por meio de invasões e exploração de falhas em operadoras de telefonia, conselhos de classe e órgãos da administração pública.
O impacto financeiro do esquema evidencia a escala da atividade: entre março de 2021 e março de 2026, a organização movimentou mais de R$ 7 milhões. Desse total, R$ 4 milhões foram transacionados unicamente no ano de 2025, o que demonstra que mais da metade de todo o faturamento acumulado em cinco anos concentrou-se nos últimos doze meses de operação. Esses dados alimentavam a aplicação de estelionatos altamente direcionados; em uma das modalidades apuradas, fraudadores fingiam ser advogados e utilizavam dados autênticos de ações em andamento para exigir pagamentos indevidos das partes envolvidas.
Estrutura interna e lacunas da apuração
A investigação detalhou que o grupo contava com 13 integrantes atuando em uma divisão clara de tarefas, englobando liderança, gestão financeira, suporte técnico para desenvolvimento da plataforma, captação ilegal de bancos de dados e cooptação de contas de laranjas. Para ocultar a origem dos recursos, a quadrilha utilizava empresas de fachada e conversão de valores em criptoativos. Constatou-se ainda que os criminosos já estruturavam o lançamento de um segundo portal com o mesmo modelo de atuação, plano que foi frustrado pela ação policial. Os envolvidos responderão por organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo informático e estelionato.
De um lado, ganham os cidadãos e as famílias que tinham sua privacidade violada e seu patrimônio ameaçado por golpes sofisticados; de outro, perdem os operadores do mercado clandestino que lucravam com a impunidade digital. No entanto, o caso mantém pontas soltas cruciais: a polícia ainda não divulgou quais órgãos públicos e operadoras específicas tiveram seus sistemas violados, nem se houve facilitação interna por parte de servidores ou funcionários dessas entidades para a extração do acervo.
O que está em jogo: o avanço do inquérito da Operação Perseu 7 definirá se a Justiça converterá as 13 prisões temporárias em preventivas e se as autoridades conseguirão identificar a origem exata das brechas em conselhos profissionais e órgãos públicos. A perícia nos dispositivos apreendidos e o rastreamento dos R$ 7 milhões bloqueados em contas e criptoativos serão determinantes para responsabilizar invasores de sistemas e ressarcir eventuais vítimas de estelionato.
Com informacoes de revistaoeste.com.