Em sabatina televisiva, candidato do Avante defende tecnologia na saúde pública, corte de despesas da máquina e criação de pasta para Segurança Pública.

O candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, apresentou suas principais diretrizes para a gestão pública com forte apelo à modernização digital e ao enxugamento administrativo. Durante entrevista transmitida pela TV Globo em um sábado, dia 29, o médico psiquiatra e escritor defendeu que a telemedicina possui potencial para solucionar até 80% das demandas que sobrecarregam o Sistema Único de Saúde (SUS), propondo atendimento remoto ininterrupto, 24 horas por dia, em todo o território nacional.
Segundo a visão exposta pelo candidato, o uso intensivo de consultas virtuais é o caminho mais célere para reduzir as filas crônicas de espera na rede pública e garantir assistência a cidadãos com limitações de locomoção. Ao ser confrontado com os parâmetros técnicos do Conselho Federal de Medicina (CFM) — órgão que sustenta que a prática a distância não substitui o atendimento presencial —, Cury pontuou que a autarquia “precisa ser atualizada”, argumentando que a velocidade das transformações tecnológicas supera a capacidade de acompanhamento da própria classe médica.
No campo fiscal e da administração governamental, o postulante do Avante colocou como meta a redução de oito a dez ministérios, buscando eliminar redundâncias e diminuir o peso da burocracia estatal. Apesar do corte no primeiro escalão, Cury indicou a intenção de estruturar áreas especializadas, defendendo a criação do Ministério da Segurança Pública e de um órgão direcionado à robótica e inteligência artificial. Para reequilibrar o orçamento federal, ele projetou uma economia entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões por meio de digitalização de serviços, revisão de contratos públicos e taxação de empresas de apostas.
Questionado sobre seu histórico no setor privado de saúde digital e projetos pedagógicos socioemocionais, o presidenciável rechaçou qualquer conflito de interesses. Garantiu que sua imagem como embaixador de empresa de telemedicina seria removida imediatamente e negou planos de adotar seus próprios modelos comerciais na educação básica. Em matéria previdenciária e econômica, descartou uma nova reforma de aposentadorias de imediato, apostando no fomento ao empreendedorismo, na formalização laboral e em ganhos de produtividade para ampliar as receitas tributárias do país.
O que esta em jogo: A proposta de digitalização massiva do SUS reflete o debate sobre a eficiência da máquina pública e a busca por soluções inovadoras para gargalos históricos sem a necessidade de expansão desenfreada dos gastos. Ao confrontar regulamentações corporativas e prometer cortes na estrutura ministerial, a pauta coloca em evidência a necessidade de desregulamentação, responsabilidade fiscal e modernização tecnológica para destravar os serviços essenciais à população brasileira.
Com informacoes de revistaoeste.com.