Rompido com o governador Carlos Brandão, o petista Felipe Camarão tenta viabilizar candidatura própria exaltando a liderança do ministro do STF.

A política maranhense vive um cenário de forte instabilidade e disputas de bastidores com o esfacelamento da aliança governista que vinha dominando o estado nos últimos anos. No epicentro dessa crise está o atual vice-governador Felipe Camarão (PT), histórico homem de confiança do hoje ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino. Após perder espaço na administração estadual e se ver isolado no Palácio dos Leões, Camarão transformou-se em uma figura institucional meramente decorativa, consolidando o racha aberto com o governador Carlos Brandão.
A ascensão de Felipe Camarão no cenário estadual esteve intimamente ligada ao apadrinhamento de Flávio Dino durante os mais de sete anos em que este governou o Maranhão. Sem filiação partidária até 2018 e com passagem pelo Democratas antes de ingressar no PT em 2021, Camarão transitou com facilidade pelas estruturas do Executivo, comandando quatro pastas estratégicas da gestão de Dino: Gestão e Previdência (janeiro a agosto de 2015), Cultura (agosto de 2015 a fevereiro de 2016), Governo do Estado (fevereiro a março de 2016) e Educação, onde permaneceu de março de 2016 a março de 2022.
O desenho eleitoral de 2022, costurado diretamente por Dino, contemplou a ascensão de Carlos Brandão ao cargo de governador — após a renúncia do titular para disputar o Senado — e a inserção de Camarão como vice na chapa. Com a reeleição da dupla naquele ano, o petista chegou a reassumir o comando da Secretaria de Educação em março de 2023, mas a divisão interna de poder e os choques de liderança culminaram na sua saída definitiva do primeiro escalão em julho de 2024, selando o rompimento entre o governador e o seu vice.
Mesmo alijado das decisões administrativas do governo estadual, Camarão decidiu lançar candidatura própria ao Palácio dos Leões e aposta na vinculação com seu antigo mentor para mobilizar o eleitorado de esquerda. Em sua plataforma, Dino é apontado como referência direta em 16 passagens do plano de governo. A reverência política ao ministro do STF se estendeu a declarações públicas recentes, nas quais o petista afirmou que o atual integrante da Suprema Corte brasileira ainda “será presidente da República”.
O que esta em jogo: A disputa entre o grupo do atual governador e a ala alinhada a Felipe Camarão reflete o persistente controle e a influência de Flávio Dino sobre a política regional, mesmo após sua investidura em uma cadeira no STF. A insistência de agentes políticos locais em orbitar em torno de um ministro de tribunal superior levanta questionamentos sobre a separação entre a atuação jurisdicional e os interesses partidários nos estados, indicando que a reorganização do poder no Maranhão continuará fortemente pautada pelos desdobramentos de Brasília.
Com informacoes de revistaoeste.com.