Ministro André Mendonça atendeu a pedido da campanha de Lula e determinou que a rede social preste esclarecimentos sobre algoritmos e recomendação de perfis.

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estipulou um prazo de 24 horas para que a rede social X preste esclarecimentos detalhados sobre os critérios e o funcionamento do filtro aplicado aos perfis de concorrentes no pleito de 2026. O despacho judicial foi motivado por uma provocação direta da equipe jurídica da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alegou a existência de inconsistências na forma como o algoritmo tem distribuído o alcance de diferentes nomes na disputa eleitoral.
De acordo com a representação protocolada pelo Partido dos Trabalhadores, haveria uma assimetria na aplicação do mecanismo que barra a recomendação espontânea de candidaturas. A sigla sustentou perante a Corte que a restrição técnica atingiu apenas 665 contas, enquanto um contingente superior a 1,5 mil postulantes teria permanecido fora da barreira de contenção algorítmica. Para os advogados da chapa governista, tal disparidade gerou um desequilíbrio na visibilidade digital, fazendo com que certos perfis fossem impulsionados enquanto outros sofreram limitação em suas entregas.
Ao analisar o pedido de tutela, o ministro André Mendonça destacou que a distribuição seletiva ou desuniforme de recursos de recomendação pode acarretar distorções expressivas no fluxo de dados e no debate público. Segundo o magistrado, com o calendário eleitoral em pleno curso, falhas operacionais na entrega de conteúdo tendem a inflar gradativamente a exposição de postulantes específicos em detrimento de concorrentes diretos, o que demanda intervenção preventiva da Justiça Eleitoral para garantir a isonomia.
A determinação expedida pela Corte Eleitoral exige que a plataforma não apenas fundamente as diretrizes técnicas do seu sistema de recomendação, mas também forneça a lista nominal dos perfis que foram eventualmente excluídos da moderação. Adicionalmente, Mendonça impôs a preservação integral de registros de código, bases de dados e parâmetros de programação para viabilizar, se necessário, a realização de uma perícia ou auditoria judicial aprofundada sobre a neutralidade das ferramentas digitais do aplicativo.
Diante do cenário apresentado, a defesa da campanha de Lula pleiteou que a plataforma retire a totalidade das contas de candidatos do ecossistema de recomendações automáticas enquanto durar o período oficial de campanha. A medida busca neutralizar possíveis favorecimentos operacionais no ambiente das redes sociais, onde a visibilidade orgânica e o direcionamento de conteúdo exercem peso decisivo na formação da opinião pública e no engajamento dos eleitores.
O que esta em jogo: A atuação da Justiça Eleitoral sobre plataformas digitais reflete o desafio permanente de assegurar a paridade de armas nas campanhas sem inviabilizar o funcionamento das redes e a liberdade de circulação de ideias. A exigência de abertura e auditoria de códigos algorítmicos coloca em evidência a responsabilidade das Big Techs no cumprimento uniforme de diretrizes de neutralidade, evitando que critérios técnicos opacos interfiram no equilíbrio legítimo do processo democrático.
Com informacoes de revistaoeste.com.