Operação da Polícia Federal investiga esquema de desvio de recursos públicos em Roraima, com foco em emendas Pix, após auditorias da CGU identificarem irregularidades que somam R$ 90 milhões.

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira, 3, a Operação Acesso Negado, resultando na apreensão de cerca de R$ 230 mil em dinheiro vivo e outros materiais, como documentos e equipamentos eletrônicos. A ação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, tem como objetivo investigar um suposto esquema de desvio de recursos de emendas Pix em Roraima. Foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão em diversos estados, incluindo Roraima, Bahia, Tocantins e São Paulo.
A investigação foi iniciada após auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) revelarem indícios de irregularidades na aplicação de aproximadamente R$ 90 milhões, de um total de R$ 145 milhões repassados em 2024 via emendas Pix. Os recursos sob escrutínio foram destinados aos municípios roraimenses de Iracema e São Luiz do Anauá. As auditorias apontaram uma série de problemas, como obras paralisadas, serviços que não foram executados e falhas graves na prestação de contas dos recursos federais, levantando sérias dúvidas sobre a correta utilização do dinheiro público.
Entre os parlamentares que destinaram as emendas sob investigação estão Jhonatan de Jesus, atual ministro do Tribunal de Contas da União, que enviou parte dos recursos quando exercia o cargo de deputado federal. Outros nomes envolvidos na destinação das verbas são Antonio Nicoletti (PL-RR), o então deputado federal Dr. Hiran (PP-RR), e o ex-senador Telmário Mota. Contudo, a PF esclareceu que nenhum desses autores das emendas é alvo direto da operação nesta fase. Os mandados foram direcionados a gestores municipais, empresários e empresas que são suspeitos de envolvimento em fraudes licitatórias, desvio de dinheiro público e lavagem de ativos.
Os envolvidos que se manifestaram à imprensa reiteraram que a destinação das emendas seguiu os trâmites legais. O senador Dr. Hiran Gonçalves afirmou ter apresentado suas emendas conforme as regras e apoia a apuração dos fatos. O deputado Antonio Nicoletti salientou que a destinação dos recursos foi feita de forma republicana, atribuindo a responsabilidade pela execução e aplicação às prefeituras. Já Telmário Mota, que se encontra em prisão domiciliar, declarou desconhecer a execução das emendas e negou ter indicado empresas para contratação. Jhonatan de Jesus optou por não se manifestar sobre as investigações.
As emendas Pix, ou transferências especiais, permitem que parlamentares encaminhem recursos diretamente a estados e municípios, sem a necessidade de convênios com o governo federal, simplificando o repasse de verbas. Contudo, essa modalidade tem sido questionada por órgãos de controle devido à dificuldade de fiscalização e à falta de transparência na aplicação dos recursos, o que facilita o surgimento de esquemas de corrupção. As investigações continuam, e a Polícia Federal não descarta a possibilidade de novas diligências, o que reforça a complexidade e a abrangência do caso.
O que está em jogo: A operação Acesso Negado evidencia a fragilidade dos mecanismos de controle sobre as emendas Pix e o potencial para desvios de recursos, levantando questões sobre a necessidade de maior transparência e fiscalização na aplicação dessas verbas que, embora destinadas ao desenvolvimento local, podem se tornar um terreno fértil para a corrupção e a malversação do dinheiro público.
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