A disputa por poder nos estados para as eleições de 2026 ganha contornos dramáticos no Ceará, onde uma possível aliança do PL de Flávio Bolsonaro com Ciro Gomes gera atrito interno, inclusive com Michelle Bolsonaro, e evidencia os desafios da direita para expandir seu eleitorado.

A corrida eleitoral de 2026, com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, já movimenta os bastidores da política nacional, e os estados emergem como campos de batalha cruciais para a construção de palanques presidenciais. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca fortalecer suas bases, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL, enfrenta desafios significativos, especialmente na busca por apoio que transcenda o eleitorado bolsonarista.
Um dos dilemas mais latentes para a direita se manifesta no Ceará, onde a decisão do PL estadual de apoiar a pré-candidatura do ex-governador Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado provocou uma crise interna de proporções nacionais. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) manifestou publicamente sua desaprovação, criticando a aliança com um antigo adversário do ex-presidente Jair Bolsonaro e argumentando que tal movimento contraria os princípios da direita. Este embate ilustra a tensão entre a fidelidade ideológica e a necessidade pragmática de ampliar a base de apoio.
A disputa cearense não se restringe ao governo estadual, estendendo-se também à renovação de dois terços do Senado. Michelle Bolsonaro defende a vereadora Priscila Costa (PL) para uma das vagas, enquanto o grupo liderado pelo deputado federal André Fernandes (PL) articula o lançamento de seu pai, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL). Essa divergência interna revela a complexidade das alianças e a fragmentação que pode ocorrer mesmo dentro de um mesmo campo político, impactando diretamente a capacidade de formação de chapas competitivas.
Para analistas políticos, como Carlos Eduardo Borenstein da Arko Advice, o desafio da direita reside em “conquistar os eleitores de centro”. Uma aliança com Ciro Gomes, embora gere “desconforto dentro da própria direita”, poderia ser uma estratégia para esse fim. Contudo, essa tática expõe uma encruzilhada: a busca por eleitores moderados pode alienar a base ideológica mais fervorosa, enquanto a adesão estrita aos princípios pode limitar o alcance eleitoral.
Paralelamente, o PT busca manter sua hegemonia no Ceará. O governador Elmano de Freitas (PT) tentará a reeleição com o apoio de Lula e do senador Camilo Santana (PT), que inclusive deixou a liderança do governo no Senado para dedicar-se integralmente à campanha. Este movimento estratégico do PT demonstra a importância do Ceará na geografia eleitoral, reconhecendo que a manutenção de redutos é tão vital quanto a conquista de novos territórios para as eleições presidenciais.
O que esta em jogo: A complexa teia de alianças e disputas internas nos estados, como exemplificado pelo Ceará, é um termômetro das dificuldades e estratégias dos principais pré-candidatos à presidência em 2026, definindo não apenas quem governará, mas também a governabilidade no Congresso Nacional.
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