Um empresário revelou à Polícia Civil atuar como 'laranja' de uma empresa que movimentou quase R$ 1 bilhão e está sob investigação por suspeita de lavagem de dinheiro, incluindo o pagamento de R$ 700 mil ao escritório da atual ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman, antes de sua nomeação por Lula.

A Polícia Civil de São Paulo colheu o depoimento de Ericsson de Azevedo, 50 anos, que se apresentou como “laranja” da empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia. A companhia, que declarou capital social superior a R$ 100 milhões, efetuou um pagamento de R$ 700 mil ao escritório da atual ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman, nomeada para o cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro de 2025.
De acordo com os relatos de Azevedo, feitos em janeiro de 2025, ele teria vendido seus dados pessoais por R$ 5 mil para a abertura da ACX ITC e recebia R$ 1 mil sempre que documentos necessitavam de sua assinatura. Tal arranjo levanta sérias questões sobre a legitimidade da propriedade da empresa e a origem dos fundos movimentados.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que a ACX ITC movimentou impressionantes R$ 918,3 milhões e exibe “fortes indícios de envolvimento com recursos oriundos do tráfico”, conforme concluído pela Operação Saturno da Polícia Civil paulista. Além disso, a empresa é apontada como parte de uma rede de mais de 40 companhias ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, cujo grupo empresarial está sob investigação da CPMI do INSS por movimentações de R$ 39 bilhões.
O montante de R$ 700 mil foi transferido em parcela única ao escritório de Verônica Sterman entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025. Neste período, ela ainda exercia a advocacia e não havia assumido o cargo no STM. Em sua defesa, Sterman declarou à imprensa que o valor era referente à elaboração de três pareceres jurídicos, uma justificativa que, diante das investigações sobre a empresa pagadora, adiciona uma camada de complexidade ao caso.
A nomeação de uma ministra para um tribunal superior é um ato de alta relevância para a estrutura judiciária brasileira. O surgimento de fatos que associam transações financeiras de seu escritório a empresas sob investigação, especialmente com alegações de uso de “laranjas” e movimentações financeiras bilionárias com indícios de ilicitude, exige uma apuração rigorosa e transparente, a fim de salvaguardar a integridade das instituições públicas.
O que está em jogo: A legitimidade da nomeação de ministros para tribunais superiores pode ser questionada em face de associações financeiras com empresas investigadas, exigindo clareza e transparência para preservar a credibilidade do Poder Judiciário e a confiança pública.
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