O presidente Lula inaugurou um túnel da transposição do Rio São Francisco no Rio Grande do Norte antes da chegada da água e criticou veementemente as restrições eleitorais que proíbem inaugurações com a presença de pré-candidatos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizou, nesta quinta-feira, 2, uma inauguração simbólica no Rio Grande do Norte: o Túnel Major Sales, que faz parte do ramal do Apodi da transposição do Rio São Francisco. A cerimônia, no entanto, ocorreu antes que a água efetivamente chegasse ao local, um fato que o próprio presidente atribuiu a um “erro de cálculo” por parte do Palácio do Planalto, que posteriormente esclareceu não haver falha estrutural, mas que a água ainda percorria o sistema.
Com 6,5 quilômetros de extensão e capacidade para transportar até 20 metros cúbicos de água por segundo, o túnel conecta a Paraíba ao Rio Grande do Norte e é projetado para beneficiar aproximadamente 750 mil pessoas em 54 municípios dos dois estados e também do Ceará. A chegada da água ao túnel ocorreu apenas horas depois da solenidade, durante a madrugada, sendo posteriormente divulgada em vídeos pela governadora Fátima Bezerra (PT) em suas redes sociais.
Durante o evento, Lula aproveitou para criticar duramente a legislação eleitoral que impõe restrições a partir deste sábado, 4, impedindo a participação de pré-candidatos em inaugurações de obras públicas. Classificando a norma como uma “papagaiada desgraçada”, o presidente expressou seu descontentamento com a limitação que, segundo ele, o impede de “inaugurar obra” após a data-limite, embora ainda possa visitar os locais sem fazer declarações públicas.
A Lei das Eleições estabelece um período de vedações três meses antes do primeiro turno, com o objetivo primordial de assegurar a isonomia na disputa eleitoral. Essa legislação proíbe práticas como publicidade institucional e, crucially, a presença de autoridades em inaugurações de obras. Tais medidas são consideradas pilares para evitar que a máquina pública seja utilizada para promover candidaturas e influenciar o processo democrático.
O episódio levanta discussões sobre o equilíbrio entre a necessidade de prestação de contas do governo e a garantia de um pleito justo e sem distorções. A crítica do presidente, embora expressa de forma contundente, reflete uma tensão comum em anos eleitorais, onde a visibilidade de ações governamentais se choca com as regras de conduta para agentes públicos que podem se tornar candidatos ou apoiar campanhas.
O que está em jogo: A controvérsia sobre a inauguração e as críticas de Lula à lei eleitoral destacam a complexidade da gestão pública em período pré-eleitoral, evidenciando a busca por visibilidade de obras versus a necessidade de garantir a imparcialidade do processo democrático.
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