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Nayib Bukele buscará terceiro mandato em El Salvador após reforma constitucional controversa

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, confirmou sua candidatura para um terceiro mandato, beneficiado por uma recente reforma constitucional que permite a reeleição ilimitada. A decisão ocorre em meio a alta popularidade e críticas sobre sua política de segurança.

Por Redação Ponto FixoPublicado 02/07/2026 às 03h02· 3 min de leitura
Nayib Bukele buscará terceiro mandato em El Salvador após reforma constitucional controversa
Foto: Reprodução automática pausada

O cenário político de El Salvador ganha contornos de continuidade com a confirmação da candidatura do atual presidente, Nayib Bukele, para um inédito terceiro mandato consecutivo. A oficialização, realizada pelo presidente do partido Novas Ideias, Xavi Zablah Bukele, no último domingo, 28, posiciona o chefe do Executivo na corrida eleitoral marcada para fevereiro de 2027. Este movimento é viabilizado por uma reforma constitucional aprovada em agosto do ano passado, que, entre outras mudanças, eliminou os limites de reeleição, antecipou o calendário eleitoral e estendeu o período presidencial de cinco para seis anos.

Desde que assumiu a presidência em 2019, Bukele consolidou uma alta aprovação popular, estimada em cerca de 80%, impulsionada principalmente por sua linha-dura no combate ao crime organizado. As políticas de segurança implementadas em El Salvador, incluindo a declaração de estado de emergência, são frequentemente citadas como responsáveis por uma drástica redução na taxa de homicídios, superior a 90%, conforme dados reportados. Este modelo de segurança, embora aclamado internamente, gerou inspiração para figuras conservadoras em campanhas eleitorais por toda a América Latina, como Daniel Noboa no Equador e Keiko Fujimori no Peru.

Contudo, as estratégias de Bukele não estão isentas de críticas. Organizações internacionais de direitos humanos têm expressado preocupação com as restrições às garantias constitucionais e as denúncias de violações de direitos. O presidente, por sua vez, tem rebatido essas acusações publicamente, questionando a quem os direitos humanos deveriam proteger, afirmando: “Direitos humanos de quem? Não das pessoas honradas”. Essa postura reflete a polarização em torno de seu governo, onde, apesar do amplo apoio popular a um terceiro mandato (cerca de 70% dos salvadorenhos), pesquisas também indicam que seis em cada dez entrevistados temem fazer críticas públicas ao presidente.

A busca por um novo período na cadeira presidencial, que o manteria no poder até 2033 caso seja vitorioso, sinaliza uma guinada significativa na estrutura democrática de El Salvador. A alteração constitucional que permitiu a reeleição ilimitada levanta questionamentos sobre a longevidade dos checks and balances e o futuro da alternância de poder no país. O sucesso de Bukele em erradicar grande parte da violência impulsionada por gangues, que por décadas aterrorizou a nação, é inegável, mas o custo para as liberdades individuais e o Estado de Direito continua a ser um ponto de discórdia.

As prévias do partido Novas Ideias, marcadas para 12 de julho, não apresentarão adversários a Bukele, o que consolida ainda mais seu caminho para a disputa eleitoral de 2027. Este cenário sugere que a próxima eleição em El Salvador será, em grande medida, um referendo sobre o projeto político de Nayib Bukele e sua visão de segurança e governança, que prioriza a ordem pública em detrimento de certas liberdades civis, contrastando com as preocupações de entidades internacionais e defensores dos direitos humanos.

O que está em jogo: A reeleição de Bukele pode consolidar um novo modelo de governança em El Salvador, focado em segurança com alto apoio popular, mas sob escrutínio internacional por potenciais restrições às liberdades civis e o enfraquecimento das instituições democráticas.

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