Diosdado Cabello, figura proeminente do regime chavista, foi flagrado em uma discussão acalorada com um socorrista norte-americano durante operações de resgate na Venezuela, em meio a acusações de lentidão do governo e seu histórico de tensões com os EUA.

Um vídeo que circula nas redes sociais revelou um momento de alta tensão entre Diosdado Cabello, ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela e considerado o número dois do regime chavista, e um brigadista norte-americano. O confronto ocorreu durante as operações de resgate após os terremotos que atingiram o país, com o registro apontando La Guaira como o provável local do incidente, uma das áreas mais afetadas.
As imagens, cujo áudio é parcialmente inaudível, mostram o socorrista dos Estados Unidos reagindo a Cabello com a frase: “Há alguém bem aqui gritando por socorro”, ao mesmo tempo em que aponta para a área de busca. Em outro trecho, o brigadista ordena veementemente: “Afaste-se, afaste-se”. A falta de clareza no diálogo tem levado usuários de redes sociais a especular que Cabello estaria tentando impor ordens às equipes estrangeiras, em um cenário de crescentes críticas da população venezuelana à resposta oficial aos desastres, que é percebida como lenta e insuficiente.
Este episódio ganha contornos mais dramáticos ao considerar o histórico de Cabello com os Estados Unidos. O ministro foi incluído na lista de procurados pelos EUA em março de 2020, sob acusações de envolvimento em conspiração narcoterrorista com o Cartel de los Soles e as Farc, incluindo crimes como envio de cocaína e uso de armas de fogo. O Departamento de Estado norte-americano chegou a oferecer uma recompensa de até US$ 25 milhões por informações que levassem à sua captura, além de impor sanções financeiras.
A presença de equipes de resgate enviadas pelo governo Donald Trump, em meio a esse contexto de sanções e acusações, sublinha a complexidade das relações entre os dois países. Após a hipotética captura de Nicolás Maduro por uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro deste ano, Cabello havia se manifestado contra o que chamou de “ataques imperialistas que buscam minar a soberania e a estabilidade de todos os venezuelanos”, demonstrando sua postura intransigente frente à intervenção norte-americana.
Nos últimos meses, Cabello tem adotado uma postura mais discreta e sua influência no governo de Delcy Rodríguez diminuiu. A líder interina, por sua vez, tem aprofundado o diálogo com os Estados Unidos, o que pode explicar, em parte, a advertência recebida por Cabello do governo Trump, que, segundo fontes da Reuters, o alertou para não interferir na transição política do país e a colaborar com a manutenção da ordem, sob risco de ser considerado um “alvo principal” caso não cooperasse.
O que esta em jogo: A discussão entre Diosdado Cabello e o brigadista norte-americano expõe as tensões latentes entre o regime chavista e os EUA, enquanto o cenário de desastres naturais na Venezuela realça a fragilidade do governo em atender à população e as implicações políticas da ajuda internacional em um país com profundas divisões internas e externas.
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