Empresa brasileira sob sanção dos EUA por suspeita de lavagem de dinheiro recebeu mais de meio bilhão de reais de outra firma ligada à rede do 'Careca do INSS', investigada pela CPMI por movimentar R$ 39 bilhões em fraudes e pagamentos a nomes do Judiciário.

Nesta quarta-feira, 1º, uma série de sanções impostas pelos Estados Unidos revelou novas camadas de uma complexa rede de lavagem de dinheiro no Brasil, que já movimentou mais de R$ 39 bilhões, conforme apurado pela CPMI do INSS. No centro da investigação está a Victory Trading Intermediação de Negócios, ligada ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que recebeu R$ 514,5 milhões em apenas um ano de outra empresa supostamente parte da rede do conhecido ‘Careca do INSS’.
A Victory Trading, juntamente com Shimada, a Pixwave Soluções de Pagamentos, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira (secretária de Shimada) e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal, foram alvo direto das sanções norte-americanas. Os recursos para a Victory Trading teriam sido transferidos pela Wave Intermediações. Ambas as companhias são apontadas como integrantes da rede Arpar, que, segundo o relatório final da CPMI do INSS, possui mais de 40 empresas com fortes indícios de serem de fachada para ocultar desvios do Instituto Nacional do Seguro Social.
O relatório, de autoria do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), descreve a rede Arpar como uma vasta operação de lavagem de dinheiro, com o objetivo de esconder a origem de valores obtidos por meio de fraudes no INSS. O nome ‘Arpar’ deriva de uma das empresas do grupo, controlada por um parceiro de Antônio Carlos Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’, figura central nas investigações sobre as fraudes.
A investigação da CPMI do INSS, apesar de não ter conseguido acesso ao sigilo bancário da Victory Trading, encontrou relatórios de inteligência financeira que a conectam à ACX ITC Serviços de Tecnologia, outro braço da rede Arpar. Documentos reveladores apontam que a ACX ITC realizou pagamentos a autoridades do Judiciário, incluindo a ministra do STM Verônica Sterman e o ex-ministro do STJ Nefi Cordeiro, levantando sérias questões sobre a extensão e a profundidade do esquema.
Além disso, foi constatado que a ACX ITC utilizava o mesmo dispositivo para acessar contas de outras empresas do grupo, como Texas Quantum Serviços Digitais e Victory Trading, esta última já com histórico de comunicações por atividade suspeita. Curiosamente, apesar de um capital social declarado de R$ 101 milhões, o proprietário da ACX ITC, Ericsson de Azevedo, mantém um padrão de vida modesto, tendo recebido parcelas do Auxílio Emergencial e residindo em um condomínio simples na zona norte de São Paulo, o que sugere um possível ‘laranja’ no esquema.
O que está em jogo: A imposição de sanções pelos EUA e as investigações da CPMI do INSS expõem a fragilidade das estruturas de combate à corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil, com possíveis ramificações em esferas de poder, exigindo uma resposta coordenada para proteger a soberania nacional e a integridade das instituições públicas.
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